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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Nelson Freire


Filme: Nelson Freire
Título Original: Idem
Diretor: João Moreira Salles
Ano: 2003
País: Brasil

documentário




Nelson Freire é um documentário interessante em muitos aspectos. Em primeiro lugar, pela força que existe no cinema. Apesar de ser conhecido em um pequeno nicho, após o filme seu nome passou a ter um reconhecimento muito maior, ainda um nicho mas bem mais amplo. É claro que a família Moreira Salles tem grande influência sobre a cultura no Brasil, por isso é importante ser "escolhido" pelo João. O que ele abraça, vinga.

Mas é inegável que ele seja um dos maiores cineastas do país. Por isso me entristecem os boatos de que ele não deseja mais trabalhar com cinema. Ao menos não mais dirigindo. Suas obras tem claras referências globais. Não é um brasilianista. E essas referências transparecem no filme, são explícitas, tanto em Nelson Freire como em Santiago, ele usa trechos de filmes, referências para reflexões. Aqui, adoro o tímido músico mostrando um trecho de um filme de Errol Garner, jazzista tocando piano com alegria e liberdade. E Nelson Freire dirige a câmera para que filme a TV e não ele, e o câmera vai e volta, desafiando e obedecendo o personagem.

João Salles diz que acompanhou Nelson Freire por dois anos antes de entrevistá-lo. Um feito incrível para conseguir quebrar a timidez do pianista. A intimidade fica clara quando um repórter francês está fazendo uma matéria idiota para uma TV local e pergunta algo como "você acha que vir de um país quante como o Brasil muda o seu jeito de tocar?". Ele desvia o olhar procurando a câmera de João, como quem diz "ta vendo o que eu preciso aguentar?".

Um personagem tímido e contido para um documentário como esse já merece respeito. Mas o que realmente me agrada é a montagem do filme. É simples, tranquila, tímida e contida como o seu personagem. E brilhante. Devo admitir aqui que copiei várias coisas para um filme que fiz, chamado "Arquivo Familiar".



Torrent: download aqui


Cena do youtube:



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Próxima semana:
Faroeste divertido e inesquecível.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Limite

Filme: Limite
Título Original: Idem
Diretor: Mário Peixoto
Atores: Olga Breno, Taciana Rei, Raul Schnoor
Ano: 1931
País: Brasil



Limite não se encaixa muito bem na história do cinema brasileiro. Em primeiro lugar, porque as referências de Mário Peixoto vinham muito mais da Europa do que de outros cineastas tupiniquins. Mais ainda por ser seu único filme. Passou a vida planejando seu segundo projeto, que nunca saiu dos papéis. Talvez por medo de não conseguir superar a qualidade de sua obra prima.

Limite é uma mistura de realismo, surrealismo e construtivismo. Tende mais para o primeiro, esteticamente. Os lindos enquadramentos, as temáticas e as atuações vão nessa linha. Mas há uma imagem, tirada de uma capa de revista que Mário Peixoto viu na Europa, que dá um outro estilo ao filme. O rosto de uma mulher e os pulsos algemados mais parece uma imagem de Buñuel. Já o modo como é inserida no filme lembra Eisenstein.

Seja como for, o que fica é a sensação do balançar do mar.


Torrent: download aqui



Cena do youtube:



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Próxima semana:
Uma orelha do Cazaquistão.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cinema, Aspirinas e Urubus

Filme: Cinema, Aspirinas e Urubus
Título Original: Idem
Diretor: Marcelo Gomes
Atores: João Miguel, Peter Ketnath
Ano: 2005
País: Brasil


Marco do cinema recente brasileiro, por ser uma obra simples, original, autoral, universal e muito bela. Boa, bonita e barata.

Um filme que tem a força de um bom roteiro e um ator que tem se tornado o meu predileto do cinema nacional: João Miguel. Ao lado de Peter Ketnath, formam uma dupla para debater, refletir, conversar.

Assim andam pelo nordeste branco da fotografia de Mauro Pinheiro. E pelos idos anos 40, época da segunda guerra mundial. O alemão, com seu trabalho de viajar o Brasil, apresentando o cinema e vendendo aspirinas.

De universos totalmente distintos, o alemão e o nordestino poderiam dar uma dessas duplas cômicas de filmes americanos. Mas o Marcelo Gomes prefere apostar na leveza e na consciência de se fazer cinema. 

Mais ainda, cria um novo estilo cinematográfico brasileiro, juntamente com Karin Anouz, Sergio Machado e Claudio Assis. Um novo cinema nordestino.


Torrent: download aqui



Cena do youtube:


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Próxima semana:
Ampliando uma fotografia.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pântano

Filme: Pântano
Título Original: La ciénaga
Diretora: Lucrecia Martel
Atores: Mercedes Moran, Graciela Borges, Martin Adjemian, Leonora Balcarce
Ano: 2001
País: Argentina



Quando fui ao cinema ver este filme, na onda de cinema argentino, levei certo choque. Aquilo que eu via ali nada tinha a ver com a leveza e simplicidade do cinema de seus compatriotas. Pouco tinha a ver com qualquer coisa, era um filme estranho, diferente de tudo. Em alguns momentos me pareceu como uma novela mexicana, em outros como um filme de Antonioni (com devida adaptação cultural), ou de Todd Solondz.

A primeira cena é a que fica. Aqueles personagens bêbados na beira da piscina e o som das cadeiras arrastando. Em poucos planos entendemos a podridão do clima vivido por aquela família. A classe média sem querer falar, sem querer pensar, apenas enchendo a cara para passar o tempo.

A cena que coloquei abaixo, no youtube, é muito simbólica do que é o filme para mim. Um diálogo realista, meio truncado, meio incômodo, entre duas irmãs. Aos poucos os jovens vão entrando e dando mais alegria a cena e acabam todos dançando, fazendo com que a mãe, sempre bêbada e na cama, se divertisse.

Como sempre, gosto muito de relações familiares. Este lembra um pouco Festa de Família, no sentido de que todos acabam indo para o sítio, se encontrar. E as relações são nitidamente mais profundas e mais complexas do que podemos ver assim, como observador. As brigas e paixões estão todas ali, nessas relações. Mas o filme é ainda mais merituoso pela forma como nos mostra isso. A montagem e composição de elementos vale uma observação. Há algo sempre incomodando, há sempre um ruído. Seja uma televisão ligada, crianças falando alto ou um personagem cuja presença incomoda.

Pântano é um filme assim, me deixa sempre com uma pulga atrás da orelha. Por isso o adoro.




Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



Cena do youtube:


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Próxima semana:
Violência silenciosa.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Macunaíma

Filme: Macunaíma
Título Original: Idem
Diretor: Joaquim Pedro de Andrade
Atores: Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Dina Staf, Milton Golçalves
Ano: 1969
País: Brasil


Ai que preguiça...

Costumo dizer que o teatro tem mais liberdade que o cinema. Ali pode tudo, um pedaço de madeira pode ser uma espada, um foguete ou um elefante. Nem todo o teatro, claro, mas há mais liberdade nesse sentido. Uns vão lembrar de Dogville. Mas, no cinema, isso é exceção. É necessário que o filme tenha a capacidade de se auto permitir uma loucura deste jeito. 

E é o que faz Macunaíma. Logo de cara, ao nascer, já mostra a que veio. (cena do youtube) Paulo José e Grande Otelo são gênios, loucos e livres. Fazem o que querem aqui, mais ou menos como o futebol do Ganso. Ora o herói, ora a mãe, ora o filho.

Admito que nunca fui um grande fá do livro de Mario de Andrade. Ver este filme foi, portanto, uma espécie de redenção. Pois compreendi este herói sem caráter, tão marcante na alma do povo brasileiro. Grande Otelo e Paulo José dividem papéis e trocam algumas vezes de função. Como Macunaíma, são brilhantes. Enquanto o livro não me atraia, o filme se mostrou cômico, lunático, mas sem perder o fio da meada. Claro que ele merece uma releitura mais atual, pois não li novamente desde ver o filme.

É difícil falar de obras tão marcantes e fundamentais. Mais fácil encher de críticas uma baboseira americana. Gostou, coração?




Torrent: download aqui




Cena do youtube:



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Próxima semana:
Loucos de hospício.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Onde Você Vai?

Filme: Onde Você Vai?
Título Original: Idem
Diretor: Victor Fisch
Atores: Berta Zemel, Luiz Serra
Ano: 2010
País: Brasil

curta-metragem


Este é um filme extra. Não tenho a pretensão de considerá-lo entre os 100. Nem sequer o centésimo primeiro.

Este é um curta, escrito e dirigido por mim, inspirado em meus avós. No deserto eloquente do meu avô e na inspiração poética causada pela eisheimer de minha avó. Elias e Sonia se perdem no tempo, se prendem ao relógio da sala e a lista de afazeres e não mais se libertam.

Filmamos em fevereiro deste ano, finalizamos em outubro. Estreia agora, neste sábado dia 27 de novembro, no Festival de Brasília. Neste meio tempo faleceu o Elias real e a Sonia real.

A Berta Zemel, quando viu um trecho do documentário "Arquivo Familiar" que fiz, no qual retratei um pouco da vida deles, disse: "a vida real é bem mais bonita do que a ficção". Falou com humildade.

Além de me inspirar nesta vida cotidiana de meus avós, no esquecimento de minha avó, me inspirou a música de Nina Simone, "Who Knows Where The Time Goes" e em especial o início narrado pela musa.

o filme terá um site: www.curtaondevocevai.com
e tem página no facebook: aqui


Torrent: ainda não...



Trailer do youtube:





segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Santiago

Filme: Santiago
Título Original: Idem
Diretor: João Moreira Salles
Ano: 2007
País: Brasil

documentário


Quando comentei Jogo de Cena, do Coutinho, havia dito que 2007 foi o ano que mudou o documentário nacional. Santiago é a segunda razão para tal. João Moreira Salles, que considera Coutinho como mestre e produz os documentários e projetos dele, também faz suas obras primas.

Santiago era um projeto de documentário abandonado, filmado em 1992, sobre uma figura muito interessante, que era o mordomo da família Salles, Santiago. Por si só já seria suficiente para um bom documentário, desses que investigam um bom personagem, caricato e engraçado, perdido no tempo. Santiago tinha peculiaridades muito interessantes, como o fato de ser um aficcionado pela linhagens de famílias nobres e conhecer todas as histórias, fofocas e boatos que rondavam essas famílias.

Mas não era suficiente para ser um tesão. Salles sabia disso e teve que esperar sua própria maturidade para encontrar nos negativos abandonados a sua própria história e uma auto-reflexão. Resumindo, deixou o filme com toque pessoal. Colocou uma narração em primeira pessoa (na voz de seu irmão), explorou as pontas do negativo, onde estava a sua relação com o personagem e explicitou referências: musicais, Ozu e Bethoven.

Não sei se eu teria coragem de fazer o que ele fez, pois as cenas que ouvimos os diálogos do mordomo com seu patrão nos dão certa angústia e desgosto pelo diretor, que maltrata e menospreza seu mordomo. Mas ele faz questão de mostrar suas fraquezas e, de certa forma, pedir perdão por não conseguir transpor a relação patrão-empregado para uma relação documentarista-objeto.

Talvez aí eu veja uma interferência de Coutinho na vida de Salles. Creio eu, de forma muito subjetiva, que Coutinho ensionou-o a gostar das pessoas, a se encantar com todo e qualquer personagem, a colocar as pessoas no pedestal mais alto da hierarquia documental.

E além de tudo isso (!), que fotografia linda! (do Walter Carvalho) Que montagem precisa! E ouvi dizer que este nosso pequeno gênio do cinema, não sei porque, cansou de brincar com a sétima arte e não tem novos projetos. Faço um apelo para que o João Moreira Salles não nos deixe na mão...



Torrent: download aqui
(não encontrei torrent deste filme, mas este blog para onde leva este link tem a possibilidade de baixar o mesmo em duas partes)



Cena do youtube (trailer):


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Próxima semana:
Uma conversa, uma outra visão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jogo de Cena

Filme: Jogo de Cena
Título Original: Idem
Diretor: Eduardo Coutinho
Atrizes: Fernanda Torres, Marília Pera, Andrea Beltrão
Ano: 2007
País: Brasil

documentário (ou não?)


O ano de 2007 foi marcante para o cinema brasileiro. Não vi ninguém dizendo muito essa tese por aí, mas podem escrever que será um ano que ficará na história. Pois 2007 foi o ano em que dois cineastas documentaristas brasileiros lançaram suas obras primas e entraram para o hall dos grandes artistas do cinema.

João Moreira Salles, com sua obra Santiago (que será tratado logo mais) e Eduardo Coutinho, com Jogo de Cena, são os únicos brasileiros que merecem tal crédito, em minha opinião, transformando o conceito de documentário no Brasil e no mundo. O objeto, talvez por questões burocráticas brasileiras, deixou de ser o "real", a pobreza, o sofrimento, a miséria, a investigação, a "verdade". Subjetivaram esses conceitos e deram toques pessoais a seus filmes, tratando o documentário como arte, como uma linguagem livre que é, sem prisões narrativas (que acontecem nas ficções nacionais), nem obsessão técnica (embora os filmes do João Moreira Salles sejam perfeitos nesse quesito). 

Em Jogo de Cena coutinho vai ao extremo desse conceito. Convida mulheres, quaisquer, que tenham boas histórias, a contá-las. Conversa com elas. Depois pede a atrizes, umas muito conhecidas e outras anônimas, para que reproduzam as entrevistas, sem ensaios, como se realmente fossem aquelas mulheres. O resto é trabalho de montagem. E um puta trabalho! A montagem espetacular vai nos conduzindo aos poucos para, em primeiro lugar, uma compreensão do jogo. Depois, confunde nossas mentes sem nos dar dicas do que é real e do que é atuação. Chega a tal ponto que nnão sabemos se são reais ou reproduções os depoimentos das nossas referências, que são as atrizes que conhecemos, Fernanda Torres, Marília Pera e Andrea Beltrão. Por fim, chega a conclusão que sempre chega: o que importa são as pessoas, suas histórias, seus pequenos gestos, suas humanidades.

Aqui cabe uma reflexão que sempre tenho, sobre a vida: Não há, no mundo, pior criação do que esses seres que chamamos de humanos e suas relações. Mas, também, não há nada melhor.

Ainda há outro grande mérito deste filme que não posso deixar passar batido. Coutinho costuma mostrar que, como complemento ao conceito minimalista de seus temas, a realização também não precisa ser exagerada. Um espaço, que é um palco de teatro, uma ideia simples, uma equipe pequena são suficientes para a realização desta obra-prima. Sempre levo em conta este quesito, mas conseguir este feito é para poucos e mestres.




Torrent: download aqui
(mas eu recomendo a compra deste DVD, para que assista a cada seis meses, considerando que ainda vem com extras muito interessantes)



Cena do youtube (trailer):



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Próxima semana:
Jogo de cena iraniano.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Muito Além do Cidadão Kane


Filme: Muito Além do Cidadão Kane
Título Original: Beyond Citizen Kane
Diretor: Simon Hartog
Ano: 1993
País: Inglaterra, Brasil

Documentário

Este documentário, produzido para a rede britânica Channel 4, é muito representativo do que temos hoje como país. E do que teremos daqui em diante. Famoso por ter sido praoibido pela Globo de circular por aí, hoje já não é muito difícil de encontrá-lo. Será que serei perseguido? Meu blog vai sobreviver às pressões? Já adianto que por uma considerável grana eu tiro este post, então aproveitem para ver enquanto está no ar.

Muito se faz por poder e por dinheiro. Alguns dizem que o sexo entra nesta conta confusa. E não se trata de exclusividade tupiniquim, já que a referência aqui é justamente o Kane da semana passada. Mas os coronéis midiáticos brasileiros vão muito além, como diz o título. A relação promíscua entre mídia e poder, ou ela como o quarto e mais forte poder, é explicitada neste incrível material.

Essa relação explica muito, se não tudo, do que é o Brasil hoje. É claro que a Globo está aos poucos perdendo seu poder e a rede de internet é absolutamente genial ao permitir que o conteúdo seja gerado por seus usuários, como neste blog, com seus trinta e poucos leitores. Por ora o google não mostrou dentes afiados, mas se botar as mangas de fora estamos fritos... qualquer monopólio é danoso. Qualquer!

E eu me revolto assistindo esse filme! Me revolto porque consigo ver um outro país que teria sido possível. E que é possível! Me revolta o tempo perdido que esses poderes paralelos ajudaram a perpetuar. Me revolta o jogo e a dança que eles conseguem fazer com que todos brinquem. Há, no filme, o clássico exemplo entre o Lula e o Collor, manipulado pela Globo. As eleições manipuladas pela Globo. O impeachment manipulado pela Globo. As diretas já esquecidas pela Globo. E depois, quando o Lula chega ao poder, apesar da Globo, tornam-se amigos, pois "se hay gobierno soy a favor" pensam os Marinho.

E a reflexão que me atinge é: o poder pelo que? pelo poder? por fama? por dinheiro? por sexo? Por que não o poder pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária? Quando penso no país que a Globo poderia ter ajudado a criar e vejo o país que ela conseguiu fazer, tenho ódio, nojo e me recuso a assistir seus jornais e novelas.

Este blog, além de um aprendizado cinematográfico, traz um ensinamento político, do qual este filme e The Corporation são essenciais. Este mês foi assim. Vamos relaxar um pouco agora.

Torrent: download aqui


Cena do youtube:


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Próxima semana:
O Homem-Camaleão

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Entreatos

Filme: Entreatos
Título Original: Idem
Diretores: João Moreira Salles
Ano: 2004
País: Brasil
Documentário

Eu estou hoje fazendo um trabalho muito parecido com o de João Moreira Salles no filme Entreatos. Eu estou filmando a campanha da Marina Silva e do Ricardo Young, sem a intenção de fazer um documentário, mas mostrando muitas cenas de bastidores. Não sei se vale um documentário, porque já existe este, que não precisa ser refeito, independentemente do candidato.

Primeiro vamos aos fatos cinematográficos, depois aos políticos. O cinema documental observador que o Coutinho faz como ninguém é um grande trabalho de montagem sensível. Já no início do filme (cena do youtube) ele diz a que veio e explica seu documentário. O registro de tudo, desde os bastidores até os grandes comícios e eventos, faz com que ele opte por ficar mais nos bastidores, é claro.

Em uma campanha política não vemos nenhum ser humano e sim um monte de marionetes montadas de acordo com os interesses das pesquisas. Costumo dizer que as pesquisas indicam, na verdade, tudo aquilo que os políticos devem ser. Se elas indicam que a grande maioria do povo brasileiro gosta de homens de barba, os candidatos deixam a barba, se o povo crê que a amazonia deve ser devastada, pegam em suas armas, mas se querem abençoar as florestas, os candidatos tiram do bolso seus terços e cruzes. Até por isso os que se sobressaem são os mais espontâneos, como o próprio Lula. O que me agrada no filme é ver o político real, o ser humano real. O que não me agrada (mas me agrada cinematograficamente) é ver o político montado, criado, moldado. Duda Mendonça é o criador do Lula aqui. No debate, temos uma das melhores cenas do filme. Lula na TV, a equipe de pesquisa com um grupo anotando os comentário, a menina passa um rádio pedindo que o Lula seja mais didático e no bloco seguinte lá está o candidato seguindo os conselhos de seus marketeiros.

Desta forma, fazendo uma pequena comparação com as eleições que teremos neste ano, quem são os candidatos e minhas opiniões sobre eles: Serra está desesperado para ser eleito porque é, provavelmente, sua última chance. Assim, sorri, virou simpático com o CQC, conta piada, critica o Lula? Jamais, o cara é adorado. A Dilma é uma criação do Lula, evidentemente. Não tem o menor carisma e sua única bandeira é ser uma continuação do projeto. Aliás, todos que votam nela tem esse mesmo discurso, de que estão votando em Lula. Ainda não conheci quem votasse nela por convicção na própria. E Marina é autêntica, isso não se pode tirar dela. Ela é um ser humano iluminado e representa um projeto de país muito superior aos outros. Não sei se conseguirá passar sua mensagem, mas ela é a representação da esperança, o que é o Lula em 2002 e neste filme, Entreatos.

O lado humano é essencial que seja compreendido, porque toda essa maquiagem política faz com que as pessoas percam o interesse por qualquer tema que envolva política. Eu mesmo tenho muita dificuldade para engolir as chatices burocráticas e partidárias. O que é lindo é ver uma mobilização natural e espontânea, que acontece com a Marina como aconteceu com o Obama. O Brasil é um país incrível, com um potencial maravilhoso, mas parece que há um erro de percepção nas eleições. E aí eu viajaria para o meu amigo William Blake e suas portas da percepção. Mas sinto que estou ficando disperso.

Volto para finalizar. A política, ou melhor, a solução de problemas de um conjunto da sociedade, é algo que me move, me comove e me faz querer trabalhar muito por esse país. Já a política, ou melhor, as alianças por tempo de televisão, os egos, os jogos de interesse, me fazem ter nauseas e ânsia de vômito. E, no final, entre tantos enjôos e desejos, entre pessoas se espremendo e se abraçando,  entre os sonhos e entre os atos, não consigo parar de ter esperança. Preciso tomar algum remédio, talvez.


Torrent: download aqui

Cena do youtube:


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Próxima semana:
Rosebud.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pro Dia Nascer Feliz

Filme: Pro Dia Nascer Feliz
Título Original: Idem
Diretor: João Jardim
Ano: 2005
País:Brasil
Documentário


Para finalizar a temática da educação, no mês de julho, nada melhor do que este incrível panorama da educação e do pensamento de jovens brasileiros.

Escolhendo alguns pontos estratégicos, de todos os tipos sociais e culturais, o filme entra e sai de diversos mundos e personagens que vivem uma mesma realidade: os conflitos de uma determinada idade.

De norte a sul do país, de escolas públicas tão pobres como a de Nenhum a Menos até escolas da alta classe paulistana, vemos alguns recortes feito pelo diretor com olhar atento e grandes pérolas que aparecem no caminho, como se fossem coisas naturais da vida. A que mais impressiona, sem sombra de dúvidas é uma garota brilhante de uma escola muito pobre do sertão nordestino, que recita textos de criação própria, belíssimos, pelos quais foi castigada, pois os professores não quiseram crer serem realmente seus. (deixei no youtube parte do filme com a participação desta garota)

O modo de falar carrega a cultura local e suas particularidades de tribo. Basta comparar aí a escola periférica do Rio de Janeiro e a de alta classe paulistana. Com leve ironia, aliás, mostra as garotas de classe média alta preocupadas com questões que não fazem absoluto sentido, dadas as outras realidades que nos foram mostradas. No entanto, creio eu, que há nesta aspiração do filme uma moralidade de certa forma injusta, pois, ao criar este mosaico tão rico e tão diverso, vale toda e qualquer manifestação. Mas talvez o problema seja, na verdade, o meu julgamento inevitável.

O que é essencial do aprendizado que se tira desta pequena obra prima é que há beleza em tudo e em todos. Os documentários brasileiros, aliás, tendem a seguir esta linha muito interessante, de encontrar beleza nas formigas, em uma esquina, em um poste mal cuidado, em uma garota desesperada, no seu caminhar, em todo e qualquer ser humano, no modo como morrem e no jeito indescritível de como olham o mundo.



Torrent: download aqui
(vai demorar pois tem poucos seeders...)


Cena do youtube:


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Próxima semana:
A verdade ou a mentira em um mundo de verdades ou mentiras, na vida do homem verdade. Ou do homem mentira?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Pagador de Promessas


Filme: O Pagador de Promessas
Título Original: Idem
Diretor: Anselmo Duarte
Atores: Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Geraldo Del Rey, Othon Bastos
Ano: 1963
País: Brasil


Depois de muitas referências dos filmes que coloquei até agora, vem esta obra prima brasileira, a única vencedora da Palma de Ouro em Cannes e que traz muitos dos elementos de outros filmes que falei aqui. A começar por seu estilo, realista, do sofrimento a última consequência e da perseverança de se conquistar seu objetivo. Mais parece um filme italiano, como Ladrões de Bicicleta e A Terra Treme.

Leonardo Villar faz Zé do Burro, que carrega uma cruz gigante para as escadarias de uma igreja, como promessa que fez. A escadaria é novamente um personagem importante, assim como em Encouraçado Potemkin. Com o objetivo simples de entrar dentro da igreja com sua cruz e com um obstáculo difícil de ultrapassar, que é o padre com seus pequenos poderes, o mundo acontece ali.

Pouco importa o motivo que levou Zé do Burro a fazer a promessa. O que interessa são as diversas atividades que ocorrem externas ao centro da trama. Ele é banido pelo padre, traído pela mulher que levou consigo, ora caçoado pelo povo, ora admirado e, mais adiante, encorajado. Sua atitude de simples obstinação e persistência o transforma em herói e modelo para os demais. Mas se trata apenas do ingênuo e frágil e simples Zé.

Todos querem tirar proveito do homem, tolo, todos querem ganhar alguma coisa, fazer um dinheiro, ganhar uma reportagem (cena exclente no youtube abaixo), roubar sua mulher, vender pastel. O Brasil tem muito disso, me lembra também aquela música do João Bosco, De Fente pro Crime (também coloquei a música no youtube abaixo).

No meio do rebuliço do cinema novo, O Pagador de Promessas saiu da linha do cinema real e alternativo brasileiro, sendo mais clássico. Mas foi perfeito em sua proposta. Com excelente atuação, fotografia, direção e enredo, me agrada muito mais que os filmes de Glauber e companhia (uma blasfêmia no meio cinematográfico cult). Mas calma, ainda há um filme do cinema novo que conseguiu entrar aqui e aparecerá mais para frente, por se tratar de uma obra prima: Macunaíma.






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Semana que vem:
Há muito sobre o que se pensar no deserto. E ao sair dele.

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