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segunda-feira, 26 de março de 2012

Prediletos 3

Bom, vou colocar aqui todos que receberam 3 referências e ainda faltavam na lista dos prediletos.












Claudia Cardinale

A maioria deles estão aqui com consciência. Apenas a Claudia Cardinale apareceu como uma surpresa para mim. Não sabia que três filmes com ela foram tão importantes para mim. E ela é maravilhosa. Achei que talvez a Anna Karina fosse aparecer, mas acabei colocando só Uma Mulher é Uma Mulher, o primeiro filme do blog. A Claudia Cardinale está em grande evidência em Era Uma Vez no Oeste e aparece ainda na obra prima de Fellini, 8 1/2 (com o gênio Marcello Mastroianni) e em Visconti: Rocco e Seus Irmãos (com o bonitinho Alain Dellon).













Jim Carrey

Uma polêmica é a presença do caricato Jim Carrey. Acho ele um ator extraordinário, que teve uma carreira um tanto quanto mal aproveitada. Mas esses três filmes já o fazem merecer esse status: Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, Show de Truman e O Mundo de Andy (sua melhor atuação).








Jack Nicholson

Já o Jack Nicholson é quase uma unanimidade. E ele é os filmes que este blog comenta: Passageiro Profissão Repórter, do Antonioni; Um Estranho no Ninho, do Milos Forman e O Iluminado, do Kubrick. Monstruoso ator.












Irmãos Coen

Também aparecem alguns diretores que eu gosto muito. E que vi quase todos os filmes que fizeram, como é o caso dos Irmãos Coen. Adoro quase todos os seus filmes, mas são mais marcantes para mim: Barton Fink, E Aí Meu Irmão Cadê Você? e O Homem que Não Estava Lá. Vale uma lembrança do recente Um Homem Sério, que é o que eu mais gostei da série recente.













Jim Jarmusch

Outro que assisti tudo é o Jim Jarmusch. Adoro tudo que ele faz. Mas são obras primas, de um ótimo espírito: Dead Man, Down by Law e Stranger Than Paradise (curioso não terem traduções dos títulos).













João Moreira Salles

Um pouco fora de contexto nesta lista está o gênio João Moreira Salles, documentarista brasileiro. Também tenho grande afinidade com seu estilo e com seu mestre, Eduardo Coutinho. Os documentários que aqui estão: Nelson Freire, Entreatos e Santiago.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Down by Law

Filme: Daunbailó
Título Original: Down by Law
Diretor: Jim Jarsmusch
Atores: Tom Waits, John Lurie, Roberto Benigni
Ano: 1986
País: EUA



Terceiro e último filme (desta lista), dirigido por Jim Jarmusch.

Ele é um diretor que impregna seus filmes de um espírito diferenciado. Um ritmo lento, mas que não é chato como Pasolini. Enquadramentos incomuns, observadores. Nada frenético. Tudo ao seu tempo. Creio que o respeito que ele tem pelo tempo é o que o caracteriza mais fortemente. E é também o que mais me atrai em seus filmes.

Aqui, três homens são presos. O italiano (sempre tem um estrangeiro) faz o papel cômico, na melhor atuação de Benigni. O papel do estrangeiro é importante para Jarmusch, pois ele é sempre o agente de mudança. Em geral, o painel tedioso antecede sua chegada. E é assim que os outros dois personagens do trio trocam o tédio de suas vidas pelo tédio da prisão. Sem muita paciência, apenas entram na divertida loucura de Benigni na cena memorável do "I scream, you scream, we all scream for ice cream" (cena do youtube). Fogem. A fuga é lenta, longa, repetitiva.

Completos os objetivos, se separam. Nenhuma mudança drástica em suas essências de vida, com exceção do italiano, que buscava a mudança e já estava em seu processo de adaptação. Assim são os filmes de Jarmusch, acontecem sem acontecer, contam uma não história, observam e, sabe-se lá porque, são um tesão inexplicável.

Detalhe para a piração oitentista do tradutor do título. Daunbailó. Mais parece um filme de Guimarães Rosa.



Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



Cena do youtube:




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Próxima semana:
O louco gênio tupiniquim.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dead Man

Filme: Dead Man
Título Original: Idem
Diretor: Jim Jarmusch
Atores: Johnny Depp, Gary Farmer
Ano: 1995
País: EUA



Eu ia começar esse post dizendo que o Jim Jarmusch é o primeiro diretor que se repete aqui, mas seria uma informação falsa, uma vez que o João Moreira Salles já apareceu duas vezes.

O link que se faz com o último filme é William Blake, proposital. Dead Man é um filme de faroeste, se tivéssemos que classificá-lo em algum gênero, no qual o herói é o William Blake vivido por Johnny Depp e seu tutor é o índio Nobody (que não tem origem indígena). O Jim Jarmusch tem uma incrível capacidade de dar toque pessoal a seus filmes, independentes do gênero. Os roteiros já vem carregados de suas impressões, mas a narrativa é mais característica ainda.
Em geral, percebam, ele faz filmes bem humorados, mas sem piadas. O humor é criado pela linguagem, pela decupagem, pela sequência de planos e por seus personagens únicos. Duas sequências de Dead Man são especiais para mim: a introdução e a revelação de William Blake ao seu tutor Nobody.

Na primeira, que coloquei no youtube, em uma sequencia silenciosa da viagem de trem do protagonista ao velho oeste, muita coisa se revela. São três planos principais: o primeiro plano dele, as rodas girando e o contra-plano de dentro do trem e seus passageiros. Com essa trinca ele cria humor, porque as reações do Johnny Depp são excelentes, mostra que temos um personagem que vem de uma cidade grande, mais "civilizada", pois a viagem começa com passageiros mais bem comportados e a paisagem vai mudando, aos poucos aparecem cabanas indígenas, os passageiros se tornam mais barbudos e mal encarados, carregados com armas e chapéus. O pobre e inocente William Blake é introduzido ao mundo cruel e selvagem do velho oeste.

Depois de começar uma peregrinação kafkaniana em seu destino, ele como espécie de agrimensor sem encontrar seu castelo na cidade na qual foi lhe prometido emprego de contador, começa a gerar conflito entre os moradores locais. Quando foge para o meio da floresta é salvo por Nobody, o índio com cara de americano, que, ao saber seu nome, declara sua missão em uma cena incrível. 

Você é o William Blake? Você já foi poeta e pintor e agora fará poesia com o sangue do homem branco. E ele cita a poesia: Every night and every morn some to misery are born, every morn and avery night, some are born to sweet delight". Aceitando sua missão, William Blake escreve sua nova poesia guiado por Nobody.


Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



Cena do youtube:



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Próxima semana:
Repetindo diretores... e seus anjos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Stranger Than Paradise


Filme: Stranger Than Paradise
Título Original: idem
Diretor: Jim Jarmusch
Atores: John Lurie e Richard Edson
Atriz: Eszter Balint
Ano: 1984
País: EUA




Jim Jarmusch é um de meus diretores prediletos. Tudo que ele faz é carregado de um estilo próprio que eu não sei ao certo de onde vem, um tempo incomum das cenas, um certo desconforto, algo que me atrai, não sei bem o que.

É possível teorizar em cima de sua cinematografia e dizer que seu principal tema é a tal da "incomunicabilidade". Presente desde Antonioni a Kar Wai, esta temática está sempre descaradamente presente nos filmes de Jarmusch, nos quais sempre há um estrangeiro, de outra língua, de difícil comunicação (ou nenhuma como o sorveteiro francês de Ghost Dog). Há o italiano em Down by Law, o índio em Dead Man, a família etíope em Flores Partidas e a avó (ou tia) e da prima húngaras em Stranger than Paradise.

Mas o estrangeirismo das personagens é a incomunicabilidade levada ao extremo, pois a falta de comunicação já está presente nos personagens, sejam eles de qualquer origem. A formação básica do filme são três personagens, John Lurie, seu amigo e a prima húngara. Eles viajam para visitar a tia (incrível personagem). E aí está colocada a história. O resto é desimportante. A bem da verdade, até esta história não interessa. O que importa é o modo como se relacionam e o modo como Jarmusch retrata.

Creio que a alma underground de Nova Iorque também tem importante influência neste filme e em muitos americanos independentes, como os primeiros do Scorsese. Abaixo, na cena do youtube, deixei uma ceninha muito interessante, que diz mais do que eu conseguirei expressar. A prima está no apartamento apertado e bagunçado ouvindo uma música. O enquadramento parece um pouco esquisito, chega John Lurie, desliga o som e dá um presente, meio sem jeito. É um vestido que nada tem a ver com o gosto dela, nem o dele. Mas, enfim, ele cumpriu o seu dever de bom anfitrião.

Como a maioria dos filmes que eu gosto (estou percebendo isso aqui), há aqui um humor sutil muito bom. Daqueles que o cara, muito cult intelectual, pode te xingar no cinema caso você ria da cena, como se você estivesse ofendendo a beleza da introspecção pós-gunteriana, acadêmico alemão que explicou a identificação dos indivíduos em torno de uma conjuntura nacional (um pássaro acaba de morrer).

Tem algumas pessoas que conseguem realizar obras que parecem feitas para conversar com você (comigo, no caso). Clarice Lispector, Kafka e Jim Jarmusch são exemplos disso.

Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



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Semana que vem:
Luz e sombra. E cenários distorcidos.
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