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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dogville

Filme: Dogville
Título Original: Idem
Diretor: Lars Von Trier
Atores: Nicole Kidman, Paul Bettany, Harriet Anderson, Ben Gazzara, Phillip Baker Hall, James Caan
Ano: 2003
País: Dinamarca (e muitos outros países)




Dogville foi uma das minhas grandes experiências cinematográficas de meu tempo. Daqueles filmes que surgiram na minha época e que eu presenciei as maravilhosas reações do público. Alguns indignados, outros maravilhados, outros apenas com sono. Aconteceu com Magnólia, Cidade dos Sonhos, Arca Russa, Caché e Dogville.

Me encantou desde o primeiro instante, na qual um narrador irônico (eu adoro ironias), começa a explicar o "conto de fadas" que veremos. E a câmera começa de cima da cidade desenhada no chão. Um estranhamento direto, sem mais delongas.

A história é cruel. Nicole Kidman - escolha perfeita - chega na cidadezinha pequena em fuga. Temos todos aqueles clichês positivos de uma pequena vila: o bom humor, a receptividade, o acolhimento, os pequenos cuidados, o jardim, os doces, as bonecas.

A estrangeira entra neste mundo em busca de apoio. Não sabemos do que. Eles cedem sua afetividade. Mas cobram, cada vez mais, por sua pretensa bondade. Ora pedem seu trabalho, ora seu corpo. Aos poucos a escravizam com crueldade. E a estupram naquela cidade sem paredes, o que é uma imagem incrível, ao mesmo tempo que é horrível.

Ela se torna a perfeita Geni. Fácil de culpar, fácil de cuspir e pisar. E os habitantes de Dogville mostram que podem muito bem serem cruéis na mesma proporção que podem ser acolhedores. E que são cheios de podridão em suas profundezas.

Lars von Trier vendeu este filme como sua visão dos Estados Unidos. Talvez estivesse procurando uma polêmica, mas creio que atingiu muito mais além. Fez uma fábula, se é que podemos chamá-la assim, sobre os homens. Especialmente para esses, que não tem como se esconder da sociedade opressora. Que não tem paredes, nem multidões para se perder. Que pecam e não são perdoados jamais.



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Legenda: download aqui



Cena do youtube:


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Próxima semana:
Drinks, piscina e um clima estranho.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Festa de Família

Filme: Festa de Família
Título Original: Festen
Diretor: Thomas Vinterberg
Atores: Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen, Paprika Steen
Ano: 1998
País: Dinamarca


Família constitui uma forma de relação muito interessante. Diferente de tudo aquilo que vamos construindo durante a vida, escolhendo caminhos, excluindo possibilidades como as de Lola, escolhendo outras, a família nos obriga certas relações que, se a situação fosse outra, procuraríamos não tê-las.

Somos, portanto, obrigados a suportar aqueles seres indesejados. E no entanto, como ensina Don Corleone, nada é mais forte do que a famiglia! Mas esses grandes organismos, que geram relações muito estranhas e surpreendentes, tendem ao, no modo popular de dizer, barraco. Ou seja, mais dia menos dia o cunhado lembra que o primo está devendo, que o irmão sempre viveu as custas dele, a tia diz que a avó do outro lado não faz nada, que sobra tudo para ela. Os ânimos se exaltam, uns tentam por panos quentes, outros defendeu seu lado e a quebra é inevitável. Toda família tem seus podres. Ainda estou para conhecer uma sem eles. (que família chata que seria essa!)

Bom, há um lugar primordial para a organização de tais barracos familiares, que são essas festas de família. Sabe? Pode ser enterro, casamento ou uma grande festa do patriarca, como é o caso aqui. O filho, incentivado por antigos funcionários e pelo álcool quer lavar a roupa suja (bem suja, aliás) neste grande almoço de confraternização, que lembra muito as situações de Buñuel, da burguesia sentada à mesa. Em qualquer festa que eu vá, casamentos, festa de natal, enterros e coisas do gênero, ali está a Festa de Família, que não me foge a memória.

Vale ressaltar a importância do movimento cinematográfico que faz parte este filme, o Dogma95, idealizado por Thomas Vinterberg e Lars Von Trier (talvez mais alguns que eu não saiba). Espécie de reedição da Nouvelle Vague, o movimento justificava a baixa qualidade técnica de suas produções, como Os Idiotas e Italiano para Principiantes, com o pretexto de ir contra um modelo de cinema mega produzido, farsante. Não filmavam em estúdio, não utilizavam luzes a criar uma atmosfera que não fosse real, não usavam trilha sonora colocada em pós-produção, e de preferência filmavam sem atores. Assim como foi o neorealismo italiano e o cinama novo brasileiro, cada qual com suas características. Com exceção do Italiano para Principiantes, que é um filme leve e cômico, os filmes do Dogma95 tendiam a uma atmosfera pesada, de duras críticas e forte realidade. Creio aí que há algo nesse povo nórdico que requer essa atmosfera. Os filmes de Haneke, austríaco, também caminham por esse lado.

A proposta era encantadora, mas os resultados nem sempre seguem a risca. Dos que vi, apenas este é uma obra prima. Mas só por ele já valeu o movimento ter existido e vingado.




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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Harry?
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