Diretor: Michael Haneke
Atores: Daniel Auteil, Juliette Binoche, Maurice Benichou
Ano: 2005
País: França
Haneke é um dos diretores atuais que mais gosto. Pelo seu modo duro de filmar, por sua ousadia. É daquele tipo de filme que gosta de provocar o espectador. Quanto tempo eles aguentam uma primeira cena parada em um plano que nada acontece? E assim começa Caché. E teve gente que saiu do cinema nesta primeira cena, o que, para mim, já dá uma moral extra ao filme. Pode ser que tenham errado de sala ou algo do gênero, mas o filme precisa incomodar alguém, pelo menos um.
Depois de dez minutos de uma simples cena da fachada de uma casa, a imagem começa a ser acelerada. Percebemos então que um casal, vivido por Daniel Auteil e Juliette Binoche, está assistindo ao vídeo. Receberam aquela fita pelo correio e a gravação mostra justamente sua casa. Veja que violência cruel e silenciosa! Você filma a casa de alguém e deixa a fita na porta, para dar o recado de que você está ali, observando.
Este é o começo de uma tensão que surge na vida do casal francês de classe média. Cada vez um novo sinal surge, uma nova mensagem e cada vez mais eles vivem com medo, sem compreender de onde vem as ameaças. Ambos criam internamente suas teorias, voltam ao passado, mas não revelam as cartas, não jogam abertamente. O terrorista aos poucos deixa pistas de quem ele é, alertando que conhece muito intimamente o passado do casal.
Não vou revelar aqui tudo que acontece, no entanto é interessante fazer uma análise mais analógica da obra. Como acabo de voltar da França, sei que a questão da imigração nesses países europeus é tensa, assim como o filme, uma tensão meio silenciosa. E em muitos filmes, especialmente franceses, essa questão vem aparecendo. Não importa se proposital ou não, mas é possível entender que há uma relação lógica entre um medo dessa classe europeia em crise e a imigração, da qual preferem não falar muito.
Ainda vale uma menção honrosa ao plano final do filme. Aberto, em todos os sentidos. Defendo muito esse cinema aberto, sem explicações redondas e claras, sem deixar o espectador confortável. Gosto do cinema que não explica. Gosto do cinema que pergunta mais do que responde. E este plano final de Caché é um manifesto por si só.
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Cena do youtube:
http://youtu.be/lS4VVUYsK44
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Próxima semana:
Violência violenta!
