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segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Poderoso Chefão

Filme: O Poderoso Chefão
Título Original: The Godfather
Diretor: Francis Ford Coppola
Atores: Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall, Diane Keaton, James Caan, John Cazale
Ano:1972
País: EUA



Quando eu tento refletir sobre o que faz deste filme uma obra prima, tenho dificuldades pela abundância de possibilidades. Um roteiro preciso, diálogos memoráveis, personagens complexos são seus elementos de atmosfera. Mas ainda há a luz, sempre escura, cheia de sombras e os enquadramentos perfeitos, como o final. E a trilha sonora!  Tudo é inesquecível, se complementam, criam, coletivamente, uma obra.

Mas a densidade da trama é o que mais me atrai. E a forma como Coppola conduz seu enredo, acrescentando personagens sem pressa, nos envolve em sua família como ninguém. Buscar esse olhar mais intimista, dentro das organizações criminosas, é o que faz com que nos sintamos parte. Não há, aqui, espaço para maniqueísmos, são todos reais, com interesses, com intenções, com dúvidas, com pecados e morais.

E a complexidade de seus personagens, não a toa, torna o filme grandioso. Pois uma planificação deixaria suas ações óbvias. Desta forma, eles atuam em suas nuanças. Marlon Brando é perfeito como o Don Corleone que, apesar de padrinho de enorme respeito, não vê entre os seus filhos um sucessor. O mais velho, Sonny, é explosivo e emocional. Fredo é fraco e instável. E a Michael, vivido por Al Pacino, Don Corleone reservou um futuro longe do crime. Casado com uma moça inocente, não se sente parte daquele meio. Já a Tom Hagen (Robert Duval), que é considerado como um filho, cabe o papel de o sábio administrador e advogado.

Em uma de minhas cenas favoritas (no youtube abaixo), o Godfather corta uma reação explosiva do filho Sonny, em uma reunião com outro chefe de máfia. Depois vem a moral: "nunca diga o que você está pensando para alguém que não é da família". O Poderoso Chefão é brilhante porque não conta a história de uma família criminosa, mas sim de uma família.

E, sem pressa, Coppola nos mostra o tempo passando e as mudanças ocorrendo. Os ataques a família Corleone, a morte de Sonny e a necessidade de um substituto cada vez mais evidente. Neste contexto surge a força da personalidade de Michael, que não poderia deixar de ser o líder em necessidade.

Não é fácil contar histórias grandiosas como essa. Muitas delas me cansam, como 1900, de Bertolucci; Leopardo, de Visconti ou Barry Lyndon. de Kubrick. São bons filmes, mas com a difícil tarefa de contar uma história que evolui no tempo. Mais fáceis são os pequenos recortes, tendem a ficarem melhores. No entanto, Coppola consegue passar tudo, no tempo certo, com a ajuda imprescindível de seus mestres atores.


Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



Cena do youtube:


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Próxima semana:
A melhor continuação de um filme.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Apocalypse Now



Título: Apocalypse Now
Título Original: Idem
Diretor: Francis Ford Coppola
Atores: Martin Sheen, Marlon Brando, Robert Duval
Ano: 1979
País: EUA


Este é daqueles filmes que não se discute. Eis a obra prima. Talvez se discuta a versão, a minha é a Redux (versão do diretor, que foi relançada no cinema). Muita coisa na carreira de Coppola é questionável, mas algumas são brilhantes, geniais, inacreditáveis. Ele é como aquele jogador de futebol que é craque mas tem preguiça de jogar, aí de vez em quando faz uma jogada inacreditável. Ou ainda é daquele tipo que jogava muito quando era moleque e agora já está velho e cansado. Acontece muito no cinema.
Bom, Apocalypse Now é o melhor filme de guerra já feito. Mas este gênero pode ser questionado, ou não? Acontece que li uma cena de um livro, de passagem (Matadouro 5, do Kurt Vonnegut) e minha visão sobre filmes militaristas mudou para sempre. Uma mulher critica os filmes de guerra, mesmo o mais pacifista deles, por criarem uma áurea heróica por trás deste evento que eu não tenho capacidade de imaginar. Desde então vejo filmes de guerra com outros olhos. Mas não impede a beleza cinematográfica e a perfeição artística de Apocalypse Now.
Há cenas marcantes, como o início ao som de The Doors e a cena dos helicópteros ao som de Cavalgada das Valquírias (cena no youtube abaixo), mas o que me parece mais interessante e fundamental é o clima e as sensações que são passadas.
O peso, a escuridão, a lentidão, o calor, o sofrimento, a falta de sentido, a perda de consciência, falta de noção do tempo, falta de noção de tudo, enjôo, amplitude, horizonte infinito, não chegar a lugar nenhum, andar em círculo, dar um tiro no próprio pé, dar um tiro para cima, dar um tiro no outro, dar um tiro no seu irmão, cheiro de morte e de napalm.
Nada mais a dizer.

Legenda: download aqui

Cena do youtube:


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Próxima semana:
Você está falando comigo? Tá falando comigo?!
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