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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jogo de Cena

Filme: Jogo de Cena
Título Original: Idem
Diretor: Eduardo Coutinho
Atrizes: Fernanda Torres, Marília Pera, Andrea Beltrão
Ano: 2007
País: Brasil

documentário (ou não?)


O ano de 2007 foi marcante para o cinema brasileiro. Não vi ninguém dizendo muito essa tese por aí, mas podem escrever que será um ano que ficará na história. Pois 2007 foi o ano em que dois cineastas documentaristas brasileiros lançaram suas obras primas e entraram para o hall dos grandes artistas do cinema.

João Moreira Salles, com sua obra Santiago (que será tratado logo mais) e Eduardo Coutinho, com Jogo de Cena, são os únicos brasileiros que merecem tal crédito, em minha opinião, transformando o conceito de documentário no Brasil e no mundo. O objeto, talvez por questões burocráticas brasileiras, deixou de ser o "real", a pobreza, o sofrimento, a miséria, a investigação, a "verdade". Subjetivaram esses conceitos e deram toques pessoais a seus filmes, tratando o documentário como arte, como uma linguagem livre que é, sem prisões narrativas (que acontecem nas ficções nacionais), nem obsessão técnica (embora os filmes do João Moreira Salles sejam perfeitos nesse quesito). 

Em Jogo de Cena coutinho vai ao extremo desse conceito. Convida mulheres, quaisquer, que tenham boas histórias, a contá-las. Conversa com elas. Depois pede a atrizes, umas muito conhecidas e outras anônimas, para que reproduzam as entrevistas, sem ensaios, como se realmente fossem aquelas mulheres. O resto é trabalho de montagem. E um puta trabalho! A montagem espetacular vai nos conduzindo aos poucos para, em primeiro lugar, uma compreensão do jogo. Depois, confunde nossas mentes sem nos dar dicas do que é real e do que é atuação. Chega a tal ponto que nnão sabemos se são reais ou reproduções os depoimentos das nossas referências, que são as atrizes que conhecemos, Fernanda Torres, Marília Pera e Andrea Beltrão. Por fim, chega a conclusão que sempre chega: o que importa são as pessoas, suas histórias, seus pequenos gestos, suas humanidades.

Aqui cabe uma reflexão que sempre tenho, sobre a vida: Não há, no mundo, pior criação do que esses seres que chamamos de humanos e suas relações. Mas, também, não há nada melhor.

Ainda há outro grande mérito deste filme que não posso deixar passar batido. Coutinho costuma mostrar que, como complemento ao conceito minimalista de seus temas, a realização também não precisa ser exagerada. Um espaço, que é um palco de teatro, uma ideia simples, uma equipe pequena são suficientes para a realização desta obra-prima. Sempre levo em conta este quesito, mas conseguir este feito é para poucos e mestres.




Torrent: download aqui
(mas eu recomendo a compra deste DVD, para que assista a cada seis meses, considerando que ainda vem com extras muito interessantes)



Cena do youtube (trailer):



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Próxima semana:
Jogo de cena iraniano.
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