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segunda-feira, 1 de março de 2010

Uma Mulher é Uma Mulher



Filme: Uma Mulher é Uma Mulher



Título Original: Une Femme est Une Femme
Diretor: Jean-Luc Godard
Atriz: Anna Karina
Atores: Jean-Paul Belmondo e Jean-Claude Brialy
Ano: 1961
País: França

O que me encanta neste filme e na maioria dos filmes de Godard é a liberdade que ele tem para fazer cinema. Faz do jeito que quer, meio improvisado, meio sem roteiro, meio que um brasileiro jogando futebol. Usa e abusa dos recursos de linguagem e gosta de desafiar as regras. Não se pode quebrar o eixo. Ah, é? Não se deve usar cortes entre imagens muito semelhantes. Ah, não? Os atores nunca devem olhar para a câmera! Nunca?

Regras são motivações para Godard. E Uma Mulher é Uma Mulher é, na minha opinião, sua obra-prima. Não que os planos sejam extremamente elaborados, poéticos, enquadrados de forma a criar uma estrutura narrativa, etc. Pelo contrário, há no ar deste filme um clima de auto-consciência inexplicável. Os três atores brincam em sintonia, passeiam pelos espaços e entre a câmera, são parceiros ali da forma como nos passam esta conexão. Exemplo de cena brilhante. A menina (Anna Karina) está fritando um ovo, toca o telefone, ela taca o ovo pra cima, vai atender o telefone, fala, conversa, briga, depois volta e pega o ovo caindo.

Ainda há, na temática, algo que muito me interessa: a mulher. Muitas são as homenagens artísticas a esses seres extra-terrestres muito interessantes, mas este é demais. Especialmente porque a mulher, Anna Karina, é incomparável. Desde suas pequenas ações e reações ao modo como age a personagem, suas contradições mais bobas, suas reclamações mais tolas. É uma homenagem a um lado feminino pouco relacionado, uma homenagem a pequena garota com pequenos desejos, ao lado frágil e tolo da mulher, e não a uma mulher forte, governanta da casa e braço direito do marido.

Certa vez, li a sinopse do filme em um guia de cinemas de São Paulo, pois o filme iria passar em uma mostra ou algo do gênero. A sinopse era um tanto quanto ridícula. Algo como uma garota que quer engravidar e, para tal, faz de tudo para convencer o marido de aceitar a criança. Eu, que geralmente dou muito mais peso a análise de um roteiro do que outros fatores, devo assumir que este não é o forte aqui. Aliás, a falta de roteiro é que ganha força e sobrepõe uma certa falha estrutural no sentido mais clássico. Cada cena e cada relação de personagens e cada piada e cada momento tem muito mais força do que o conjunto, que não precisa ser levado muito a sério.

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(já vem com legenda em inglês e italiano)
Áudio original: Francês



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