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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Entre os Muros da Escola


Filme: Entre os Muros da Escola
Título Original: Entre les Murs
Diretor: Laurent Cantet
Atores: François Bégaudeau, Agame Malembo-Emene, Angélica Sancio
Ano: 2008
País: França




Muitos tentam, mas são poucos os cineastas que conseguem manter a atenção em filmes que se passam, praticamente, em um mesmo local. Seja por sua linguagem interessante ou roteiros muito ricos, tramas que não fogem de uma locação e que são competentes em manter a qualidade são raras. É difícil não apelar para uma trilha que dê um respiro, para um momento de amor, para uma paisagem relaxante ou um clipe de imagens divertidas.

Entre os muros da escola não falta tensão. Não faltam também excelentes personagens, de grande complexidade. Em uma escola da França, na qual quase nenhum dos alunos tem descendência francesa, os conflitos estão escancarados desde o instante em que se abrem as portas da sala de aula. Entramos na sala de aula como se assistíssemos a um reality show de uma escola periférica francesa.

Alguns temas ficam, então, explícitos: em primeiro lugar a cada vez mais presente migração de países sub-desenvolvidos para os desenvolvidos, preocupação que irá cada vez mais atingir os países ricos e ficar cada vez mais presente nos cinemas; em segundo lugar a dificuldade de uma educação pública para uma diversidade tão grande de jovens, de diferentes culturas e que não trazem quase nenhuma relação com seu professor; em terceiro justamente este distanciamento cultural entre professor e alunos e a dificuldade que ele encontra de chegar até eles. Em um momento extremo, os alunos começam a questionar os exemplos usados pelo professor, os nomes ocidentais e a falta de referência ao cotidiano daqueles jovens, árabes, asiáticos, periféricos.

Como um filme tão simples, de estrutura e formato simples pode embrulhar o estômago e me deixar tenso do início ao fim? A resposta não é tão complexa. A teia de relações é tão bem feita e tão real, tão bem elaborada e pouco maniqueista, tão cheia de sutilezas que é impossível não se enervar. Não sei se alguém se identifica com os alunos, talvez muitos jovens o façam. Mas eu e o provável público deste blog se identificará com o professor. No ápice dos conflitos e irritações, ele não segura a ira e chama duas alunas de "vagabundas". Eu também as xinguei e senti na pele do professor o erro deste exagero, não pude manter a calma. Mesmo eu, que tenho a calma em meu ser. Em uma análise do francês utilizado no filme, pelo que me foi explicado certa vez, a palavra "vagabunda" não tem, no entanto a mesma conotação que nós temos. Talvez má traduzida (talvez, pois gosto desta força da palavra), seu significado em francês vai apenas para o lado "desocupada, preguiçosa, sem ofício" e não chega ao "vadia, meretriz, prostituta".

Eu li também o livro que inspirou o filme e não consegui avançar desta cena. Talvez haja aí algum trauma mal resolvido, não sei. Só sei que o filme é brilhante, uma forte demonstração de realidade, um grande aprendizado, apesar de tudo.

Torrent: download aqui
Legenda: download aqui


Cena do youtube:


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Próxima semana:
Como funciona a educação na área rural da China?
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