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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Prediletos 4

Para finalizar a série dos filmes prediletos deste blog, coloco aqui dois mestres que aparecem três vezes no blog: Fellini e Kubrick.

















Federido Fellini

Fica claro que tenho certa preferência dentro da obra de Fellini. Os três filmes aqui presentes são 8 e 1/2, Estrada da Vida e Ensaio de Orquestra. Admito que, nos primeiros filmes que vi dele fiquei um pouco decepcionado, como foi o caso de Doce Vida, Roma e Amarcord. Mas fui aos poucos sendo tomado por seu jeito eclético, exótico, exagerado e maravilhoso. Quando vi 8 e 1/2 compreendi muito do cinema. Ainda me faltam alguns filmes dele, que quero bastante assistir e ainda não calhou de nos encontrarmos, como La Nave Va.





















Stanley Kubrick

O Kubrick também é um cara inquestionável. Embora Laranja Mecânica tenha ficado ali no meu limbo, na dúvida se entrava ou não e acabou caindo fora, sua filmografia é almejada por qualquer cineasta. Curta e perfeita. A minha relação com 2001 é semelhante com a do Woody Allen, que diz ter compreendido cada vez mais a beleza do filme, conforme assistia várias vezes. E é uma verdadeira obra de Kubrick. Já Iluminado e Dr. Fantástico são mais conjuntas, com a imensa colaboração de Jack Nicholson e Peter Sellers, respectivamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Estrada da Vida

Filme: A Estrada da Vida
Título Original: La Strada
Diretor: Federico Fellini
Atores: Anthony Quinn, Giulietta Masina
Ano: 1954
País: Itália


De certa forma, A Estrada da Vida é uma comédia romântica no estilo de Fellini, entre os memoráveis personagens Zampano e Gelsomina ( e os brilhantes atores Anthony Quinn e Giulietta Masina).

Mas muitas coisas o tornam especial. Em primeiro lugar, é impossível descrever a beleza desses personagens, caricatos e naturalistas. Gelsomina tem um sorriso e uma tristeza que se somam de uma maneira tão misteriosa, tem uma ingenuidade e uma sinceridade que se complementam. Ela é, por si só, uma obra prima.

Zampano já é o homem bruto, sem escrúpulos, que trata sua mulher como um objeto. Mas quando a perde, sente uma dor que o transforma de tal maneira que sentimos a profundeza de sua dor.

A Estrada é uma mistura de estilos e referências, ora exagerado (ou feliniano), ora realista, como um filme de Visconti. Nessa estrada, como em quase todos os filmes que seguem uma estrada, personagens aparecem e somem, pegam carona e descem. Gelsomina é uma delas, que sobe na carroceria de Zampano no início do filme. Depois desce e some. Mas a música (ah, a música!) de Nino Rota, fica para sempre. Assim como as sensações que estes eternos personagens nos deixam.



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Cena do youtube:


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Próxima semana:
A estrada brasileira

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ensaio de Orquestra

Filme: Ensaio de Orquestra
Título Original: Prova d'orchestra
Diretor: Federico Fellini
Ator: Balduin Baas
Ano:1978
País: Itália



Costumo ser um grande entusiasta de filmes que conseguem ser brilhantes com muito pouco. Não precisam de efeitos especiais estrondosos, nem mesmo de belas paisagens. Na verdade, são filmes onde a imagem é menos importante, espécie de teatros filmados, filmes feitos em uma locação.

Há em filmes deste estilo uma dificuldade maior de cativar o espectador. No entanto, há também espaço para maiores analogias e reflexões. Parece não haver relação lógica, mas eu explico. Em geral, esses filmes, como é o caso de Ensaio de Orquestra, se torna universal por analogia representativa. Ou seja, em um pequeno grupo de músicos e maestro vemos o mundo. Mais, vemos muitos mundos, vemos quantos mundos quisermos.

Em um estilo de falso documentário, Fellini apresenta seus personagens como se fossem os próprios instrumentos, os entrevistando. Cada um apaixonado por seu pequeno quadrado, crendo ser sempre o seu o mais importante, o que lidera, o que comanda. Não enxergam a orquestra. O maestro aparece como ponto de conflito, querendo reger sob rígida batuta.

A orquestra se revolta, expulsa o maestro, os jovens com ânimos exaltados, os mais velhos sem saber o que fazer. Torna-se rapidamente uma zona de ninguém, comandados pelo metrônomo ou cada um por si? Rapidamente os conflitos se espalham entre todos e a falta de organização gera o caos. O maestro espera pacientemente e, quando já estão perdidos, calados por uma bola gigante que invade a sala, os músicos voltam os olhos para seu antigo líder, esperando por uma caminho. Ele se levanta e volta a regê-los como antes, mas com mais poder e legitimidade.

Este breve resumo permite muitas analogias históricas e isso que deixa o filme mais interessante. O maestro pode ser Napoleão, que foi tirado de seu trono de imperador e pouco tempo depois, com a baderna francesa, foi eleito novamente pelo povo. Ou a orquestra pode ser a Alemanha que, desesperada, olha para uma liderança que os coloque na linha. Ou o comunismo, que não conseguiu se organizar coletivamente, dependendo de um líder.

Permitindo muitas interpretações, o filme é ainda perfeito porque, tratando-se de um filme de Fellini, os personagens são excelentes, com suas expressões fortes e verdadeiras, com seus pequenos trejeitos, com seus traços exagerados e reais ao mesmo tempo. Eles falam com a câmera, falam sobre música e sobre suas vidas. O filme é perfeito pois é grandioso e ao mesmo tempo íntimo, é único e ao mesmo tempo universal.

Pouco se fala desta obra prima de Fellini, injustamente. Portanto veja e compartilhe.




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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Debaixo da terra.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fellini 8 1/2


(cartaz gentilmente roubado do cineclube UEPA, de Belém do Pará)

Filme: Fellini 8 1/2
Título Original: Otto e Mezzo
Diretor: Federico Fellini
Ator: Marccelo Mastroianni
Atrizes: Claudia Cardinale e Anouk Aimeé
Ano: 1963
País: Itália




Antes de qualquer coisa, devemos agradecer ao Senhor pela existência de Marccelo Mastroianni.

Posto isso, vamos ao ensaio pessoal de Fellini, a sua autobiografia. História de um cineasta em crise com suas obras, com sua vida, repleta de mentiras e sonhos.

O tema principal, que permeia o filme todo é a mentira e a verdade. O real e o fictício. O imaginário do cineasta vivido por Mastroianni sempre vem a tona. Ele está tentando fazer um filme sobre sua própria vida e é de sua mulher que vem as palavras que mais lhe tocam a alma: "sua vida é uma inteira mentira".

Todo artista e autor tem este grande conflito interno. Falar sobre sua própria vida é um grande peso, mas é ao mesmo tempo o que pode sair de mais cristalino em sua arte. Quanto mais profundo e mais pessoal, mais real, mais sincero. Mesmo que Fellinni adore os personagens fantásticos e brinque com linguagem surrealistas de sonhos neste filme, podemos sentir o realismo de seus sentimentos. A sequência inicial é, aliás, maravilhosa. (coloquei no youtube abaixo)

E nesta metalinguagem dentro de metalinguagem, o cineasta Guido também vive em suas mentiras os seus momentos mais sinceros.

Eu tenho grande apreço por obras que vão nesta linha pessoal, pois creio ser aí que encontram-se os maiores tesouros. Pois somos todos indivíduos únicos e diferentes. E se quisermos ser iguais, muitas regras existem, filmes são produzidos por tabelas, roteiros são criados como produtos. Mas para sermos autênticos, a única regra é buscarmos na nossa essência algo que justifique um sentimento.

Para terminar volto ao Marccelo Mastroianni. Que coisa incrível que ele conseguiu construir, um personagem com sutilezas e humanidade, com pequenos trejeitos, com infantilidade e bom humor. Agradecemos ao Senhor a existência de Mastroianni e de Fellini.




Torrent: download aqui





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Próxima semana:
Como os russos vêem o real.
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