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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Prediletos 2

Continuando minha análise do blog, ia considerar aqui duas parcerias: Alfred Hitchcock - James Stewart e Woody Allen - Diane Keaton.










Todos aparecem três vezes no blog. Pensei, a princípio, que eram os mesmos filmes das parcerias, mas fui surpreendido, já que dois dos filmes da Diane Keaton são, novamente, a sequência Poderoso Chefão. Apenas 1 - Annie Hall - é com o Woody Allen. Se eu tivesse escolhido outros com os dois teríamos uma vencedora isolada de referências, mas preferi Desconstruindo Harry e Zelig, que ela não participa.













Já os filmes da dupla Hitchcock Stewart são, evidentemente, os mesmos. Janela Indiscreta, Vertigo e O Homem Que Sabia Demais. Meus prediletos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Um Corpo Que Cai

Filme: Um corpo que cai
Título Original: Vertigo
Diretor: Alfred Hitchcock
Ator: James Stewart, Kim Novak
Ano:1958
País: EUA



Os filmes de Hitchcock, como eu vinha falando nos filmes anteriores, Janela Indiscreta e O Homem Que Sabia Demais, tendem a valorizar a forma, acima do roteiro. Sua forte presença de diretor prepara a trama para uma ideia que seja, que possa valer a produção do filme inteiro.

Já em Um Corpo Que Cai, mais do que forma, o roteiro é o que prevalece como principal atrativo. Novamente James Stewart, presente nos três filmes do diretor, se envolve em uma trama muito interessante, investigando um caso da mulher de um amigo. Sua principal fraqueza, o medo de altura, é o que dá a Hitchcock suas melhores cenas formais, nas quais a vertigem do personagem é passado por um efeito visual de troca de zooms, criando uma sensação vertiginosa.

Na entrevista que concedeu a Truffaut (obra maravilhosa essencial para acompanhar os filmes), Hitchcock se mostra um pouco insatisfeito com um furo do enredo, com a maravilhosa atriz Kim Novak e com o relativo fracasso da bilheteria.

Mas ambos concordam que a melhor sequência do filme está na obsessão de James Stewart ao tentar recriar sua amada. Ao encontrar Judy, muito semelhante a Madeleine, compra roupas iguais, sapatos iguais e a obriga a pintar os cabelos, a transformando em seu objeto de desejo.

Outro ponto interessante está nessa entrevista, que revela claramente a preocupação de Hitchcock em sempre abastecer seu espectador com o suspense. Judy e Madeleine são a mesma pessoa, o que é revelado no final do livro, no qual o filme foi baseado. Já no filme a revelação vem no meio da trama, pois ele gosta de revelar ao espectador informações que não dá aos personagens. Essa sensação, de saber mais que aqueles que vemos na tela, segundo Hitchcock, é o que nos motiva a nos perguntarmos: o que virá a seguir?


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Cena do youtube:

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Próxima semana:
all work and no fun makes jack a dull boy

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Janela Indiscreta

Filme: Janela Indiscreta
Título Original: Rear Window
Diretor: Alfred Hitchcock
Ator: James Stewart, Grace Kelly
Ano:1954
País: EUA


Parece que existia nos contratos de Hitchcock uma cláusula que lhe condicionava a apenas dirigir um filme se pudesse ser genial em uma cena, em uma ideia ou em sua forma.

Antes de Janela Indiscreta, fez o Festim Diabólico, que não tem a mesma atração, mas traz uma forma inovadora: conta sua trama em um plano sequência, dentro de um apartamento. Não teve sucesso. Mas Hitchcock acreditava na forma. Encontrou a história ideal, teceu de personagens interessantes, construiu sua vizinhança perfeita e ficou ali, com apenas o ponto de vista de um apartamento, a contar uma história intrigante.

A forma em si é o que há de mais valioso aqui. Mas nos arredores da trama principal há algumas reflexões interessantes. Em primeiro lugar, o explícito voyeurismo. Há, no ser humano, um impulso quase incontrolável de observar a vida alheia. E mesmo que criemos cercas que nos privam do outro, há esta força que parece maior que nos coloca a comentar, fofocar e debater esta outra vida.

Há até uma reflexão ética sobre a invasão de privacidade, muito em voga hoje em dia, com as câmeras por todos os lados e raras vidas fora das imagens. James Stewart se questiona se seria ético descobrir um assassinato ao invadir a privacidade alheia. Depois constata, quase desistindo de sua investigação, que a vida individual não deve ser invadida, pois há, afinal, tanta singularidade e sofrimento nessas vidas.

Em um segundo plano, Hitchcock mostra uma solidão coletiva. Perfeito resumo imagético em um prédio, as vidas solitárias individuais se tornam ainda mais explícitas nessa visão maior. O solitário é mais só no meio da multidão.



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Cena do youtube:



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Próxima semana:
as alturas podem ser vertiginosas

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Homem que Sabia Demais

Filme:O Homem que Sabia Demais
Título Original: The Man Who Knew Too Much
Diretor: Alfred Hitchcock
Ator: James Stewart, Doris Day
Ano:1956
País: EUA


Entre os filmes que Hitchcock usou para me ensinar cinema, está este aqui. Um dos primeiros filmes que me encantou por sua forma cinematográfica.

A história gira em torno de uma trama internacional, na qual um casal quer recuperar seu filho de sequestradores. Envolvidos sem querer em um jogo de interesses maior, acabam descobrindo o planejamento de um atentado ao primeiro ministro.

A genialidade do filme consiste em duas cenas. Primeiro, a insistência da música "Que será, será", que nos é revelada como uma canção que representa aquela família. Quando os pais estão perto de acharem seu filho, em uma embaixada, Doris Day toca a música no piano. Seu filho, ouvindo, assobia o mais alto que consegue. E James Stewart sai atrás dele. Ele cria uma tensão com essa troca musical, que coloca o destino ao "deus dará".

Também utilizando a música, vem a cena obra prima (no youtube abaixo). O assassinato ocorrerá, muito bem planejado, em um concerto. O tiro deve sair na hora em que os pratos baterem, para que não se ouça nada. E os pratos demoram a bater. Esta utilização do tempo da música é simplesmente incrível. Diz Hitchcock que o suspense está em dar a informação ao espectador, sem dá-la aos personagens.

Mas é preferível assistir essa cena no contexto do filme, pois a sabedoria do mestre diretor é de dar as informações aos poucos e não assim, vomitado, como acabei de fazer. Mestre é mestre, não é? Vai fazer o que?


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Cena do youtube:


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Próxima semana:
nada como observar o vizinho!
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