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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fellini 8 1/2


(cartaz gentilmente roubado do cineclube UEPA, de Belém do Pará)

Filme: Fellini 8 1/2
Título Original: Otto e Mezzo
Diretor: Federico Fellini
Ator: Marccelo Mastroianni
Atrizes: Claudia Cardinale e Anouk Aimeé
Ano: 1963
País: Itália




Antes de qualquer coisa, devemos agradecer ao Senhor pela existência de Marccelo Mastroianni.

Posto isso, vamos ao ensaio pessoal de Fellini, a sua autobiografia. História de um cineasta em crise com suas obras, com sua vida, repleta de mentiras e sonhos.

O tema principal, que permeia o filme todo é a mentira e a verdade. O real e o fictício. O imaginário do cineasta vivido por Mastroianni sempre vem a tona. Ele está tentando fazer um filme sobre sua própria vida e é de sua mulher que vem as palavras que mais lhe tocam a alma: "sua vida é uma inteira mentira".

Todo artista e autor tem este grande conflito interno. Falar sobre sua própria vida é um grande peso, mas é ao mesmo tempo o que pode sair de mais cristalino em sua arte. Quanto mais profundo e mais pessoal, mais real, mais sincero. Mesmo que Fellinni adore os personagens fantásticos e brinque com linguagem surrealistas de sonhos neste filme, podemos sentir o realismo de seus sentimentos. A sequência inicial é, aliás, maravilhosa. (coloquei no youtube abaixo)

E nesta metalinguagem dentro de metalinguagem, o cineasta Guido também vive em suas mentiras os seus momentos mais sinceros.

Eu tenho grande apreço por obras que vão nesta linha pessoal, pois creio ser aí que encontram-se os maiores tesouros. Pois somos todos indivíduos únicos e diferentes. E se quisermos ser iguais, muitas regras existem, filmes são produzidos por tabelas, roteiros são criados como produtos. Mas para sermos autênticos, a única regra é buscarmos na nossa essência algo que justifique um sentimento.

Para terminar volto ao Marccelo Mastroianni. Que coisa incrível que ele conseguiu construir, um personagem com sutilezas e humanidade, com pequenos trejeitos, com infantilidade e bom humor. Agradecemos ao Senhor a existência de Mastroianni e de Fellini.




Torrent: download aqui





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Próxima semana:
Como os russos vêem o real.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Pagador de Promessas


Filme: O Pagador de Promessas
Título Original: Idem
Diretor: Anselmo Duarte
Atores: Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Geraldo Del Rey, Othon Bastos
Ano: 1963
País: Brasil


Depois de muitas referências dos filmes que coloquei até agora, vem esta obra prima brasileira, a única vencedora da Palma de Ouro em Cannes e que traz muitos dos elementos de outros filmes que falei aqui. A começar por seu estilo, realista, do sofrimento a última consequência e da perseverança de se conquistar seu objetivo. Mais parece um filme italiano, como Ladrões de Bicicleta e A Terra Treme.

Leonardo Villar faz Zé do Burro, que carrega uma cruz gigante para as escadarias de uma igreja, como promessa que fez. A escadaria é novamente um personagem importante, assim como em Encouraçado Potemkin. Com o objetivo simples de entrar dentro da igreja com sua cruz e com um obstáculo difícil de ultrapassar, que é o padre com seus pequenos poderes, o mundo acontece ali.

Pouco importa o motivo que levou Zé do Burro a fazer a promessa. O que interessa são as diversas atividades que ocorrem externas ao centro da trama. Ele é banido pelo padre, traído pela mulher que levou consigo, ora caçoado pelo povo, ora admirado e, mais adiante, encorajado. Sua atitude de simples obstinação e persistência o transforma em herói e modelo para os demais. Mas se trata apenas do ingênuo e frágil e simples Zé.

Todos querem tirar proveito do homem, tolo, todos querem ganhar alguma coisa, fazer um dinheiro, ganhar uma reportagem (cena exclente no youtube abaixo), roubar sua mulher, vender pastel. O Brasil tem muito disso, me lembra também aquela música do João Bosco, De Fente pro Crime (também coloquei a música no youtube abaixo).

No meio do rebuliço do cinema novo, O Pagador de Promessas saiu da linha do cinema real e alternativo brasileiro, sendo mais clássico. Mas foi perfeito em sua proposta. Com excelente atuação, fotografia, direção e enredo, me agrada muito mais que os filmes de Glauber e companhia (uma blasfêmia no meio cinematográfico cult). Mas calma, ainda há um filme do cinema novo que conseguiu entrar aqui e aparecerá mais para frente, por se tratar de uma obra prima: Macunaíma.






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Semana que vem:
Há muito sobre o que se pensar no deserto. E ao sair dele.

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