Bom, vou colocar aqui todos que receberam 3 referências e ainda faltavam na lista dos prediletos.
Claudia Cardinale
A maioria deles estão aqui com consciência. Apenas a Claudia Cardinale apareceu como uma surpresa para mim. Não sabia que três filmes com ela foram tão importantes para mim. E ela é maravilhosa. Achei que talvez a Anna Karina fosse aparecer, mas acabei colocando só Uma Mulher é Uma Mulher, o primeiro filme do blog. A Claudia Cardinale está em grande evidência em Era Uma Vez no Oeste e aparece ainda na obra prima de Fellini, 8 1/2 (com o gênio Marcello Mastroianni) e em Visconti: Rocco e Seus Irmãos (com o bonitinho Alain Dellon).
Jim Carrey
Uma polêmica é a presença do caricato Jim Carrey. Acho ele um ator extraordinário, que teve uma carreira um tanto quanto mal aproveitada. Mas esses três filmes já o fazem merecer esse status: Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, Show de Truman e O Mundo de Andy (sua melhor atuação).
Jack Nicholson
Já o Jack Nicholson é quase uma unanimidade. E ele é os filmes que este blog comenta: Passageiro Profissão Repórter, do Antonioni; Um Estranho no Ninho, do Milos Forman e O Iluminado, do Kubrick. Monstruoso ator.
Irmãos Coen
Também aparecem alguns diretores que eu gosto muito. E que vi quase todos os filmes que fizeram, como é o caso dos Irmãos Coen. Adoro quase todos os seus filmes, mas são mais marcantes para mim: Barton Fink, E Aí Meu Irmão Cadê Você? e O Homem que Não Estava Lá. Vale uma lembrança do recente Um Homem Sério, que é o que eu mais gostei da série recente.
Jim Jarmusch
Outro que assisti tudo é o Jim Jarmusch. Adoro tudo que ele faz. Mas são obras primas, de um ótimo espírito: Dead Man, Down by Law e Stranger Than Paradise (curioso não terem traduções dos títulos).
João Moreira Salles
Um pouco fora de contexto nesta lista está o gênio João Moreira Salles, documentarista brasileiro. Também tenho grande afinidade com seu estilo e com seu mestre, Eduardo Coutinho. Os documentários que aqui estão: Nelson Freire, Entreatos e Santiago.
Nada de listas americanas, nada de renomados institutos ou revistas, nada de cahier du cinema, nada de escola cinematográfica. Uma lista de 100 filmes tão única quanto eu mesmo sou, totalmente individual e subjetiva.
Mostrando postagens com marcador direção: Irmãos Coen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador direção: Irmãos Coen. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 26 de março de 2012
segunda-feira, 4 de julho de 2011
E Aí Meu Irmão, Cadê Você?
Diretor: Joel Coen (irmãos Coen)
Atores: George Clooney, John Torturro, Tim Blake Nelson, John Goodman, Holly Hunter
Ano: 2000
País: EUA
Os irmãos Coen são ótimos criadores de fábulas. Seus personagens exagerados, caricatos, em meio a situações que, em geral, remetem ao gênero "comédia de erros", criam uma atmosfera idílica, na qual podemos embarcar ou não.
Alguns casos resultam em obras primas. Outros, poucos, são filmes menores. Mas, em geral, eles conseguem utilizar clichês para um humor requintado. Neste caso, eles afirmaram, já que ninguém mais fez a relação, que sua fábula era inspirada na Odisseia, de Homero, creditado como co-roteirista.
O trio principal, de três excelentes atores, escapa da prisão e estão atrás de um suposto tesouro. Com o pé na estrada, conhecem novos personagens e novos obstáculos. Aos poucos se cria uma imagem do velho Mississipi e aquela região americana, mais racista e caipira. Em suma, um road movie.
A trilha sonora é maravilhosa, nesse estilo country antigo. Muito se baseia em velhas lendas e culturas locais. O sotaque, o estilo do velho negro americano (já serei acusado de racismo por não usar o afro-americano?), os políticos mais interessados em votos, a ingenuidade do povo, as exigências da mulher.
Entra aqui este filme porque eu simplesmente adoro todas as cenas deste filme. Me delicio em todos os momentos, com todos os personagens, em todos os "12 trabalhos", com todas as piadas sutis. E, como sempre acontece nos filmes dos Coen, os pequenos detalhes dos personagens me encantam. Suas pequenas manias e tiques são o que os tornam tão caricatos e ao mesmo tempo tão verdadeiros.
Torrent: download aqui
Legenda: download aqui
Cena do youtube:
--------------------
Próxima semana:
Diretor neurótico.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O Homem que Não Estava Lá
Filme: O Homem que Não Estava Lá
Título Original:The Man Who Wasn`t There
Diretor: Joel e Ethan Coen (Irmãos Coen)
Atores: Billy Bob Thornton, Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlet Johansen
Ano: 2001
País: EUA
Não lembro com quem tive uma conversa certa vez, mas teve sim alguém que concordou comigo quando relacionei o livro O Estrangeiro, de Albert Camus com o filme O Homem que Não Estava Lá, dos irmãos Coen.
Mais uma vez, ao exemplo do filme da semana passada, considero esse a obra-prima dos irmãos Coen. Acompanho seus filmes, tendo visto quase todos e, apesar de recentes quedas, também mostram o quanto são bons ao fazer filmes como Um Homem Sério.
Bom, tanto no livro de Camus como no filme, o personagem principal tem como principal característica essa ausência. Eles não estão. Billy Bob Thornton é um barbeiro que vive de acordo com o que lhe é oferecido e esperado, sem querer aparecer demais, sem grande vibração ou aspiração. É pouco, aparece pouco, requer pouco.
Muitas vezes eu mesmo me sinto assim. Vivemos aquilo que devemos? Devemos algo? Somos destinados a algo? Devemos pensar em algo? Ou o melhor é simplesmente não pensar e “deixar a vida te levar”? Assim, ser e estar se tornam verbos que não se encaixam em um só, como o “être” em françês.
Você é, mas não está. Essa diferença pode parecer tola, mas tente explicá-la para aqueles que a língua impossibilita. Ou, no caso deles, como o uso do “wasn’t” no título original, permite ao menos outras possibilidades. Se, tirando o “there”, tivéssemos um título “The Man Who Wasn’t”, sua interpretação para nossa língua portuguesa seria completamente outra.
Enfim, ambos não estavam. Ambos se envolvem em um assassinato. Ambos têm facilidade para aceitar fatos que nos parecem absurdos. E nenhum deles luta por sua vida por uma vontade interna que os motiva, como seria de esperar de nossos exemplos de lutadores. Se lutam por algo é, no máximo, para que não os incomodem com perguntas cheias de “por quês”.
Por último, o filme ainda tem muitos outros méritos, mas a fotografia preto e branca, com referência explícita dos filmes “noir”, é perfeita. As nuância, as sombras, os vários planos de luzes. Lindo.
Torrent: download aqui
Legenda: download aqui
Cena do youtube:
--------------------
--------------------
Próxima semana:
Felicidade não se compra...
Felicidade não se compra...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Barton Fink
Título Original: Barton Fink
Diretor: Irmãos Coen
Atores: John Turturro, John Goodman, Judy Davis
Atores: John Turturro, John Goodman, Judy Davis
Ano: 1991
País: Estados Unidos
Eu sou grande fã dos Irmãos Coen. Talvez, ao lado do Jim Jarmusch, é a cinematografia que mais conheço, do início aos filmes mais recentes. Fazem comédias de grande estilo. Outro dia minha mãe me mostrou uma entrevista com o filósofo Gilles Deleuze, na qual ele dizia que achava muito engraçados autores como Kafka, Becket e companhia. Creio que temos um gosto de humor semelhante e que, portanto, os filmes dos Irmãos Coen também agradariam ao filósofo.
Tenho reparado, aliás, que grande parte dos filmes que tenho escolhido trazem bons toques de humor, mesmo não sendo eles tão explícitos. E os filmes dessa dupla têm, em geral, grande mérito no tipo de humor que fazem. São mestres na criação de personagens caricatos, com trejeitos esquisitos, com manias, com toques. A dupla de atores principais de Barton Fink é genial: John Torturro e John Goodman, muito presente em outros filmes deles.
Barton Fink é um autor teatral de sucesso que é convidado por Hollywood para escrever um roteiro. Mas ele quer, a todo custo, fugir do glamour do cinema, fica em um hotel caindo aos pedaços, encontra pessoas podres, fétidas. E por que a podridão humana atrai os roteiristas? Por que é no sofrimento e na pobreza que estão as melhores histórias?
A resposta pode parecer meio óbvia, mas vale a reflexão: conflito. A base da dramaturgia é o conflito e por isso eu não consigo visualizar uma história sem embates, sem problemas. A dificuldade de Barton Fink é conseguir criar uma história, é o conflito mobilizador da trama. E em toda e qualquer história, conto de fadas, novela das oito, big brother ou comédia romântica há um conflito. Muitas pessoas dizem que não vão ao cinema para ver sofrimento, que querem se divertir e coisas do gênero. Não concordo com esse pensamento. Em primeiro lugar, como mostra bem este filme, o sofrimento pode ser divertido e leve.
Em segundo lugar, creio que o cinema tem uma função essencial de reflexão sobre a vida e o mundo. Ao final dos cem filmes que colocarei aqui, teremos um excelente painel de uma visão de mundo (ou várias, espero) e um repertório fantástico que nos serve cotidianamente. Seja ao falar sobre o tempo ou em uma discussão filosófica de boteco com os amigos, ali estão nosso repertório, que não pode ser raso. Não deve ser. Não gostaria que fosse.
E o que diferencia a boa dramaturgia, o bom conflito de um ruim. Creio que aqui trata-se de uma sensação pessoal de cada um, que é criada a partir de um repertório. Quanto maior o repertório, mais profunda será a necessidade de reflexão. E assim descartaremos novelas e big brothers e o horário nobre da tv transmitirá Barton Fink e as listas das grandes obras já produzidas.
Não sou contra a cultura de massa, desde que ela seja a que eu goste. Se bem que é provável que, se a novela virar underground, eu renego os filmes e faço um blog de novelas...
Torrent: download aqui
Legenda: download aqui
http://www.youtube.com/watch?v=ZGkVBg6k9Rk&feature=related
Próxima semana:
Um jovem americano é um ser muito complexo de compreender.
Assinar:
Postagens (Atom)








