Mostrando postagens com marcador país: Espanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador país: Espanha. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Passageiro - Profissão Repórter

Filme: Passageiro - Profissão Repórter
Título Original: Prefessione: Reportes
Diretor: Michelangelo Antonioni
Ator: Jack Nicholson
Atrizes: Maria Shneider
Ano: 1975
País: Itália, Espanha, França


A primeira cena do filme já me conquistou. Justamente por não ter nada de especial. As coisas estavam ali como são. Já entendemos, assim, que se trata de uma história que estamos pegando do meio, que aqueles personagens viveram até ali. Pegaremos uma breve carona e depois partiremos.

E o personagem com o qual pegaremos essa carona é vivido pelo mestre Jack Nicholson. Presente recentemente neste blog em O Iluminado e, antes disso, em Estranho no Ninho. Embora alguns frequentadores deste boteco não concordem com as críticas que fiz a suas recentes aparições, é claro que ele é brilhante, para mim. Chega próximo do mestre Mastroianni. 

David Locke é um jornalista, desses que viajam o mundo. Mas está insatisfeito com sua vida, em meio a  uma viagem que faz na áfrica. Surge quase que repentinamente uma oportunidade de se fazer passar por um outro homem, que morre no hotel em que está hospedado. Diante da precariedade africana, é fácil para que ele forge essa troca de identidade. A temática parece de um filme de Hitchcock, mas os tempos, o clima e a reflexão colocam as marcas do Antonioni.

Ele conhece a personagem de Maria Schneider, livre, sem identidade, sem nome,  sem cobranças ou perguntas, que embarca com ele em sua viagem de se passar por este outro homem. Passam. Por lugares e conversas. Ao perceber que sua nova vida corre risco, David pede à garota que vá embora. Que se encontram em outro momento.
Vemos, então, na sequência final, uma obra prima. Um plano que passeia pelo quarto e observa a movimentação de fora, atravessa as grades da janela e continua a observar. Está aqui abaixo, mas só pode ser assistida por quem já conhece o filme e quer relembrar este momento maravilhoso.



Torrent: download aqui
Legenda: download aqui

Cena do Youtube:



----------------
Próxima semana:
Gelsomina!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ata-me

Filme: Ata-me
Título Original: Átame!
Diretor: Pedro Almodóvar
Atores: Victoria Abril, Antonio Bandeiras
Ano: 1990
País: Espanha



Eis a obra prima de Almodóvar. Poucos, ou talvez ninguém, concorde comigo. Mas vejam e revejam este filme, porque ele merece.

Um homem rapta uma mulher, justificando que só assim ela vai poder se apaixonar por ele. Podemos imaginar essa premissa de diferentes formas. E encontrar o ponto certo do tom narrativo não é nada fácil. Mais uma crise que tenho passado e todos esses filmes que tenho reassistido acentuam minha crise. Pois acredito que a escolha de Almodóvar aqui, pela leveza, um dos princípios de Ítalo Calvino, é precisa. Mas não consigo determinar uma linha que seja definitiva para mim, ora a leveza, ora o peso, ora o bom humor, ora o humor negro, ora a dura realidade. São tantas as possibilidades de se realizar uma grande obra e tantos caminhos possíveis que, em um acerto como este, geralmente seguido pelo instinto, precisamos dar muitos créditos.

Almodóvar e eu temos uma coisa em comum: gostamos de mulheres loucas. Não que haja alguma que não seja. Mas fazia tempo que não aparecia uma neste blog. E enfim, uma bela homenagem. Antonio Bandeiras, jovem e brilhante, como todos os atores que Pedro trabalha, persegue e seqüestra Victoria Abril, que faz uma atriz ex-pornô. Está decidido a ser seu homem, casar e ter filhos. Ela, que nem o conhece, reage na defensiva, evidentemente. Ele tem que usar a violência e a prende na cama sempre que vai sair. Mas as mulheres são loucas, sim, são. Estão, por mais que digam o contrário, a espera do príncipe encantado, do macho provedor e protetor, daquele que diz "vou cuidar de você". Este lado emocional dela luta contra seu lado racional, que a vê seqüestrada por um louco.

Depois de alguns dias, alguns conflitos e algumas piadas, ele sai atrás de heroína, para acalmar a dor de sua fêmea. Se envolve em uma briga e volta para casa todo ferrado. Aí ela não resiste, surge seu lado feminino do cuidado, do "preciso cuidar do meu homem" e está definido seu amor.

Quanto ao final, já vou contar aqui, entra nas estatísticas dos fins com estrada, como comentei neste post. Eles cantam no carro "Revivere", que é uma espécie de adaptação da música "I will survive", que, por sua vez, encerra o filme O Mundo de Andy.

Agora, ao reassistir o filme, notei uma cena muito interessante, que não lembrava, que achei no youtube e está abaixo. É uma propaganda para aposentados espanhóis. Brilhante.




Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



Cena do youtube:




--------------------
Próxima semana:
O Estrangeiro, versão cinematográfica.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Anjo Exterminador


Filme: O Anjo Exterminador
Título Original: El Ángel Exterminador
Diretor: Luis Buñuel
Ator: Enrique Rambal, Claudio Brook
Atriz: Silvia Pinal
Ano: 1962
País: México, Espanha



Buñuel é foda.

Está entre o meu seleto hall de referências e influências. Ao lado de algumas figuras peculiares, ele mostra uma visão pouco comum sobre as coisas

Estranhamento. É a primeira sensação ao assistir um filme dele ou de qualquer obra que derive do surrealismo. Mas comigo as estranhezas conversam melhor do que as normalidades. Me inspiram Kafka e suas situações kafkanianas, Becket, Magritte, Andy Kaufman, David Lynch, Charlie Kafman, entre outros. Lynch diz que também não entende muitas das cenas que opta por colocar em seus filmes. E por que coloca? Porque ela cai bem ali, como uma sensação extraterrestre que faz com que aquilo faça sentido. O Castelo, de Kafka, é uma obra inacabada, mas trata-se de um dos melhores finais de livros que poderiam ter sido pensados. Os roteiros de Charlie Kaufman, aos quais voltarei mais tarde, também trabalham com conceitos de absurdos transformados em cotidiano. O absurdo é usado para nomear o Teatro do Absurdo, mas não encontro nome que conceitue todas essas artes e unifique essa ideia. A Arte do Absurdo, talvez. Os atores que trabalhavam com Buñuel, especialmente em seu curta surrealista Um Cão Andaluz (coloquei mais abaixo na cena do youtube), diziam que realmente não tinham ideia do que estavam fazendo, apenas seguiam as ordens daquele diretor maluco.

Isto tudo para justificar o fato de que eu não sei porque tenho tanto apreço por este filme, O Anjo Exterminador. Há um jantar, da burguesia, os criados da casa saem, fogem, como se algo estivesse para acontecer. O jantar acontece da maneira que conseguem improvisar os anfitriões, sem seus empregados. Quando chega a hora de ir embora, ninguém consegue abandonar a sala. Não ficam presos por algo explícito e lógico, simplesmente não conseguem sair, como se ali estivesse uma parede invisível. Passam dias ali, presos na sala e suas relações vão sendo desenvolvidas. É claro que a convivência muito intensa acaba criando alguns desconfortos. Até que entram alguns cabritos ali e "libertam" os burgueses.

Não sei dizer porque, mas é um tesão, sem sombra de dúvidas.


Torrent: download aqui
(com legenda)



---------------------
Semana que vem:
A escadaria eterna.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...