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segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Homem que Não Estava Lá

Filme: O Homem que Não Estava Lá
Título Original:The Man Who Wasn`t There
Diretor: Joel e Ethan Coen (Irmãos Coen)
Atores: Billy Bob Thornton, Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlet Johansen
Ano: 2001
País: EUA





Não lembro com quem tive uma conversa certa vez, mas teve sim alguém que concordou comigo quando relacionei o livro O Estrangeiro, de Albert Camus com o filme O Homem que Não Estava Lá, dos irmãos Coen.

Mais uma vez, ao exemplo do filme da semana passada, considero esse a obra-prima dos irmãos Coen. Acompanho seus filmes, tendo visto quase todos e, apesar de recentes quedas, também mostram o quanto são bons ao fazer filmes como Um Homem Sério.

Bom, tanto no livro de Camus como no filme, o personagem principal tem como principal característica essa ausência. Eles não estão. Billy Bob Thornton é um barbeiro que vive de acordo com o que lhe é oferecido e esperado, sem querer aparecer demais, sem grande vibração ou aspiração. É pouco, aparece pouco, requer pouco.

Muitas vezes eu mesmo me sinto assim. Vivemos aquilo que devemos? Devemos algo? Somos destinados a algo? Devemos pensar em algo? Ou o melhor é simplesmente não pensar e “deixar a vida te levar”? Assim, ser e estar se tornam verbos que não se encaixam em um só, como o “être” em françês.

Você é, mas não está. Essa diferença pode parecer tola, mas tente explicá-la para aqueles que a língua impossibilita. Ou, no caso deles, como o uso do “wasn’t” no título original, permite ao menos outras possibilidades. Se, tirando o “there”, tivéssemos um título “The Man Who Wasn’t”, sua interpretação para nossa língua portuguesa seria completamente outra.

Enfim, ambos não estavam. Ambos se envolvem em um assassinato. Ambos têm facilidade para aceitar fatos que nos parecem absurdos. E nenhum deles luta por sua vida por uma vontade interna que os motiva, como seria de esperar de nossos exemplos de lutadores. Se lutam por algo é, no máximo, para que não os incomodem com perguntas cheias de “por quês”.

Por último, o filme ainda tem muitos outros méritos, mas a fotografia preto e branca, com referência explícita dos filmes “noir”, é perfeita. As nuância, as sombras, os vários planos de luzes. Lindo.



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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Felicidade não se compra...
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