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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Butch Cassidy


Filme: Butch Cassidy
Título Original: Butch Cassidy and the Sundance Kid
Diretor: George Roy Hill
Atores: Paul Newman, Robert Redford, Catherine Ross
Ano: 1969
País: EUA



George Roy Hill fez dois grandes filmes: Golpe de Mestre, um filme de golpe e Butch Cassidy, um filme de bandido, por assim dizer. Mas sua dupla de atores ficou muito mais marcante do que seu nome. Paul Newman e Robert Redford são brilhantes e seguram com tranqüilidade os dois filmes.

Butch Cassidy e Sundance Kid foram criminosos reais, que se tornaram lendários, no fim do século 19. De certa forma lembram um pouco o nosso Lampião e seu bando. Bandidos que tem o carinho da população e se tornam lendas vivas.

O filme tem a leveza e o bom humor necessários para se tornar uma grande obra, daquelas que podemos rever muitas vezes sem nos cansar. A famosa cena com a música "Rain Drops"se perpetuou no cinema.

Gosto muito quando a dupla é perseguida por um policial durão pelo deserto de rochas americano. A perseguição leva muito tempo, mas não é algo emocionante. Pelo contrário, estão sempre a distância, mas sempre lá, mantendo o mesmo ritmo. Até que a dupla fica encurralada em um penhasco, na cena do youtube abaixo, que revela a essência do filme. O bom humor em um momento de tensão.

O final, quando estão na Bolívia, também é excepcional. Se fosse no cinema atual, com certeza teriam abusado da habilidade da dupla, fazendo umas vinte seqüências do filme. Vai lá Paul Newman e Robert Redford, façam graça e entretenham nosso público.



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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Angústia francesa.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

eXistenZ


Filme: eXistenZ
Título Original: Idem
Diretor: David Cronemberg
Atores: Jennifer Jason Leigh, Jude Law, Iam Holm, William Dafoe, Sarah Polley
Ano: 1999
País: EUA



Existenz é um universo todo novo, da cabeça de Cronemberg (o mesmo diretor de A Mosca). É um jogo no qual o jogador precisa entrar virtualmente tão profundamente naquela nova realidade que ele não consegue distinguir o real do fictício.

As rodas de jogadores parecem um pouco lan houses com jogadores compenetrados, debaixo de seus fones de ouvido, imersos em jogos de guerra e coisas do gênero. Aqui, uma espécie de chip é implantada na espinha vertebral das pessoas que entram no jogo. Elas apagam e entram de corpo e alma nesta nova realidade. Mas há o jogo dentro do jogo e nunca sabemos onde está a realidade, pois nenhuma delas é próxima da nossa. (é melhor ver o trailer aí embaixo, para entender melhor)

Alguns cineastas tem capacidade de criar mundos paralelos, como é o caso mais reconhecido do Tim Burton. Mas também do Miyazaki e do Syvian Chomet. Cronemberg é outro da lista, com seu prazer por aberrações, mutações biológicas e uma certa podridão de submundo. Por isso, os ambientes de eXistenZ são tão interessantes. Me lembram também um pouco do submundo de outras ficções científicas, como Blade Runner e Minority Report.

Eu não sei dizer se há uma crítica a alienação aqui, mas há, no mínimo, uma excelente interpretação de possibilidades deste mundo. Temos uma obsessão pelo real, por simular o real. Desde as pinturas, a fotografia, o próprio cinema, os jogos e as novas tecnologias 3D, estamos sempre buscando esta estranha experiência de viver uma outra realidade.

Brincam com este limiar muitos filmes deste blog, pois é uma temática que me interessa bastante (quem sabe possa surgir um mestrado daí?). Falo muito sobre isso em Jogo de Cena e, especialmente, em Close Up.

Um cena que merece destaque aqui é quando Jude Law, em desespero, sem saber o que fazer, grita "eXisteZ is paused!" e ele sai daquele mundo voltando a antiga realidade. Outra, que não vou descrever aqui, é a perfeita cena final. Para deixar uma vontade maior de ver o filme.



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Cena do youtube:



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Próxima semana:
O mundo íntimo de um músico tímido.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Timecode


Filme: Timecode
Título Original: Idem
Diretor: Mike Figgs
Atores: Xander Berkeley, Golden Brooks, Salma Hayek, Stellan Skarsgard
Ano: 2000
País: EUA


Para quem viu esse filme, a dica da semana passada ficou fácil: "planos sequência divididos em telas". Porque isso é o filme. Isso resume sua importância. Foi um marco no cinema recente, que explorou as novas possibilidades do cinema digital, assim como Avatar foi para o cinema 3D.

Mais um filme que vi na mostra internacional de cinema. E foi uma grande experiência. Quatro câmeras acompanham situações diferentes, em quatro planos sequência, que se juntam e se afastam, dividindo a tela em quatro. O som guia nossa atenção, sendo predominante na tela em que o diretor nos quer mostrar no momento. Mas temos a liberdade de observar as outras, se assim quisermos. E tudo tem um toque de um ensaio misturado com um improviso, chegando a ser bem cômico em alguns momentos.

É um desses filmes que tem uma importância histórica mas que, diferente de Arca Russa, apesar das inovações tecnológicas, não sustenta um enredo bom o suficiente para se perpetuar. Mas como este blog tem o intuito de trazer visões pessoais minhas e, portanto, os filmes que se perpetuam em mim, este aqui está.


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Próxima semana:
Fumar ou não fumar, eis a questão.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um Dia de Cão


Filme: Um Dia de Cão
Título Original: Dog Day Afternoon
Diretor: Sidney Lumet
Atores: Al Pacino, John Cazale
Ano: 1975
País: EUA


Lumet se mostra um gênio do filme simples, de uma locação. O mesmo diretor de 12 Homens e Uma Sentença, da semana passada. Com o brilhante Al Pacino e seu comparsa John Cazale, a mesma dupla que se reencontra em O Poderoso Chefão e sua sequência, Um Dia de Cão é um filme inesperado de um assalto a banco.

O filme recria um assalto real, que remete a um massacre policial, em Attica (como na cena abaixo). Mas sua força está, como Lumet faz muito bem, no paciente desenvolvimento de seus personagens. Ele não apela a recursos como flashback, fotos e cartas, nem precisa de muitos anos para revelar as facetas de seus personagens. Em apenas um dia do assalto, com reféns que participam da trama, tudo vai sendo descoberto.

O mais surpreendente é a real motivação do personagem de Al Pacino para assaltar o banco: seu amante, um homossexual que quer fazer uma transformação de sexo. As cenas de Al Pacino ao telefone são as mais brilhantes do filme e, possivelmente, de toda a sua carreira. Há uma história que vi numa entrevista do Lumet, em algum lugar, que diz o seguinte: durante as filmagens, esta cena era a que mais daria trabalho ao Al Pacino, se preparou e, quando finalmente encerraram de maneira brilhante, com o ator suado e acabado, quase sem forças mais, Lumet pediu para que ele fizesse mais uma vez. Já estava satisfeito, mas queria estressar mentalmente Al Pacino para tirar o seu melhor. E foi essa última tomada que agora está ali, perfeita e inesquecível.


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Próxima semana:
Filme-história-foda-plano-sequência.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

12 Homens e Uma Sentença


Filme: 12 Homens e Uma Sentença
Título Original: 12 Angry Men
Diretor: Sidney Lumet
Atores: Henry Fonda, E. G. Marshall 
Ano: 1957
País: EUA


Este filme é a mais perfeita imagem do tema que une os filmes deste mês: simplicidade. A bem da verdade, trata-se de uma peça teatral filmada. Mas o texto é tão bom, as atuações tão perfeitas que o que poderia ser entediante fica absolutamente intrigante.

São 12 juris discutindo uma sentença. O crime parece óbvio e todos querem sair dali o mais rápido possível. Onze deles rapidamente decidem pela condenação do garoto. Apenas Henry Fonda discorda, não por convicção de sua inocência, mas apenas para que, ao menos, o assunto possa ser debatido. (cena abaixo) Como a decisão precisa ser unânime, ali ficam.

Em um crescente de questionamentos, os jurados passam a tentar analisar mais profundamente o caso e percebem que sua primeira impressão pudesse ser errônea. Assim, vemos o quão frágil é o sistema judicial e suas subjetividades, pelas quais seria impossível, por exemplo, ser a favor da pena de morte. Os preconceitos ficam evidentes e, junto com eles, como os pré-julgamentos são feitos não ao observar fatos e sim opiniões pessoais, seus traumas e cultura.

Dois documentários brasileiros revelam o nosso sistema, da mesma diretora, Maria Augusta Ramos: Justiça e Juízo. Excelentes filmes que, com uma câmera distante, apenas observam o funcionamento (ou não) da lei.

Como dramaturgia, o texto de 12 Homens e Uma Sentença é perfeito. Cada um dos personagens é aos poucos revelados e, como todos passam por uma mudança de lado, até a unanimidade pela inocência, todos tem uma curva dramática, algumas mais fortes e outras mais fracas. E é claro que os diálogos e formas de argumentação são maravilhosas.

De certa forma, há aqui uma clara distinção de posturas, em um gradual painel. Desde a sensatez de Henry Fonda, da posição de querer ouvir e debater sem juízo de valores, até a alguns extremistas e pragmáticos que são intransigentes quanto a suas posições. Admitir uma mudança, portanto, é uma derrota pessoal tão grande como se ele próprio fosse considerado o culpado. Seria como se, numa apologia política atual, a Dilma resolvesse voltar atrás da construção de Belo Monte já que a sociedade se manifestou e apresentou argumentos fortes o suficiente para que o projeto fosse parado. Mudar de posição é considerado, na nossa sociedade, um crime tão grave como ter cometido o crime em primeiro lugar.


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Próxima semana:
Um banco, apenas. E tudo que isso implica.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Gerry

Filme: Gerry
Título Original: Idem
Diretor: Gus Van Sant
Atores: Matt Damon, Casey Affleck
Ano: 2002
País: EUA










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Próxima semana:
Simplicidade italiana.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

2001 - Uma Odisseia no Espaço

Filme: 2001 - Uma Odisseia no Espaço
Título Original: 2001: A Space Odyssey
Diretor: Stanley Kubrick
Ator: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Syvester
Ano:1968
País: EUA


Eis a obra, o monolito.

O filme é dividido em quatro partes distintas, proporcionais. A primeira é a clássica sequencia inicial na qual os homens primitivos descobrem a força e utilidade dos instrumentos. Por si só, uma obra prima.

Com a "maior elipse temporal do cinema", que é o corte do osso para uma espaçonave, entramos na chata segunda parte do filme. Temos a bela dança de valsa da espaçonave, girando lentamente pelo espaço. Mas devo considerara-la inutil ou, no mínimo, enfadonha.

A terceira, outro curta, talvez seja a de dramtaurgia mais tradicional. Há personagens mais construidos e conflitos estabelecidos. A excelente participação da inteligência artificial de Hall, o computador de bordo, que, ao perceber que há indícios de seu fim, usa seus meios e poderes para tentar sobreviver.

A quarta e última parte da obra abre espaço para diversas interpretações. Isso é algo que me agrada nos filmes de Kubrick. Sua complexidade formal serve para que as interpretações possam ser múltiplas. E me desagradam os filmes com formula fechada e moral determinada. Talvez neste ponto haja certa semelhança com o atual "Árvore da Vida", tão debatido. (que eu, particularmente, não gosto)

E fala, para mim, do retorno às origens para a busca de sentido. O monolito está sempre ali, para lembrarmos de nossas limitações intelectuais e de compreensão do universo. De nós mesmos, na verdade. Buscar sentido, no final das contas, tampouco faz sentido. Mas há algo que não sabemos como nos dá a tranquilidade que nossa ignorância é sábia: o monolito.


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Próxima semana:
A passagem, enfim.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Iluminado

Filme:O Iluminado
Título Original: The Shining
Diretor: Stanley Kubrick
Ator: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd
Ano:1980
País: EUA


"-Wendy! Wendy!", com as sobrancelhas levantadas e um olhar psicopata, Jack repete o nome da mulher.

Jack Nicholson foi um ator inacreditável. Foi, pois já há algum tempo não aparece fazendo algo que seja merecedor de atenção. E em Iluminado, é diabolicamente magistral.

Kubrick também, com sua perfeição. Passeou por todos os gêneros e foi perfeito, sempre. Na tensão e suspense deste filme, criou o famoso "steady cam", para as cenas em que acompanha o menino Danny, andando de triciclo pelo hotel vazio. Geralmente feita com trilhos, este travelling requisitou um novo aparelho, que permitisse estabilidade para o operador de câmera, mas sem a presença dos trilhos, já que o seguiam de costas, o que tornaria impossível escondê-los.

Sozinhos no enorme hotel e no inverno rigoroso, fantasmas do passado e o tédio começam a atormentar a vida dos personagens. Também conhecida como a síndrome da cabana. Jack tenta escrever, mas a única frase que sai de sua máquina é "all work and no fun makes Jack a dull boy".

A enorme angústia que o filme causa, combinada com sua cinematografia avançada, o coloca, muito provavelmente, como o melhor filme de terror da história, se pudermos incluí-lo no gênero.


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http://youtu.be/3t60oY0TbTU


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Próxima semana:
Do início e do fim.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Um Corpo Que Cai

Filme: Um corpo que cai
Título Original: Vertigo
Diretor: Alfred Hitchcock
Ator: James Stewart, Kim Novak
Ano:1958
País: EUA



Os filmes de Hitchcock, como eu vinha falando nos filmes anteriores, Janela Indiscreta e O Homem Que Sabia Demais, tendem a valorizar a forma, acima do roteiro. Sua forte presença de diretor prepara a trama para uma ideia que seja, que possa valer a produção do filme inteiro.

Já em Um Corpo Que Cai, mais do que forma, o roteiro é o que prevalece como principal atrativo. Novamente James Stewart, presente nos três filmes do diretor, se envolve em uma trama muito interessante, investigando um caso da mulher de um amigo. Sua principal fraqueza, o medo de altura, é o que dá a Hitchcock suas melhores cenas formais, nas quais a vertigem do personagem é passado por um efeito visual de troca de zooms, criando uma sensação vertiginosa.

Na entrevista que concedeu a Truffaut (obra maravilhosa essencial para acompanhar os filmes), Hitchcock se mostra um pouco insatisfeito com um furo do enredo, com a maravilhosa atriz Kim Novak e com o relativo fracasso da bilheteria.

Mas ambos concordam que a melhor sequência do filme está na obsessão de James Stewart ao tentar recriar sua amada. Ao encontrar Judy, muito semelhante a Madeleine, compra roupas iguais, sapatos iguais e a obriga a pintar os cabelos, a transformando em seu objeto de desejo.

Outro ponto interessante está nessa entrevista, que revela claramente a preocupação de Hitchcock em sempre abastecer seu espectador com o suspense. Judy e Madeleine são a mesma pessoa, o que é revelado no final do livro, no qual o filme foi baseado. Já no filme a revelação vem no meio da trama, pois ele gosta de revelar ao espectador informações que não dá aos personagens. Essa sensação, de saber mais que aqueles que vemos na tela, segundo Hitchcock, é o que nos motiva a nos perguntarmos: o que virá a seguir?


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Próxima semana:
all work and no fun makes jack a dull boy

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Janela Indiscreta

Filme: Janela Indiscreta
Título Original: Rear Window
Diretor: Alfred Hitchcock
Ator: James Stewart, Grace Kelly
Ano:1954
País: EUA


Parece que existia nos contratos de Hitchcock uma cláusula que lhe condicionava a apenas dirigir um filme se pudesse ser genial em uma cena, em uma ideia ou em sua forma.

Antes de Janela Indiscreta, fez o Festim Diabólico, que não tem a mesma atração, mas traz uma forma inovadora: conta sua trama em um plano sequência, dentro de um apartamento. Não teve sucesso. Mas Hitchcock acreditava na forma. Encontrou a história ideal, teceu de personagens interessantes, construiu sua vizinhança perfeita e ficou ali, com apenas o ponto de vista de um apartamento, a contar uma história intrigante.

A forma em si é o que há de mais valioso aqui. Mas nos arredores da trama principal há algumas reflexões interessantes. Em primeiro lugar, o explícito voyeurismo. Há, no ser humano, um impulso quase incontrolável de observar a vida alheia. E mesmo que criemos cercas que nos privam do outro, há esta força que parece maior que nos coloca a comentar, fofocar e debater esta outra vida.

Há até uma reflexão ética sobre a invasão de privacidade, muito em voga hoje em dia, com as câmeras por todos os lados e raras vidas fora das imagens. James Stewart se questiona se seria ético descobrir um assassinato ao invadir a privacidade alheia. Depois constata, quase desistindo de sua investigação, que a vida individual não deve ser invadida, pois há, afinal, tanta singularidade e sofrimento nessas vidas.

Em um segundo plano, Hitchcock mostra uma solidão coletiva. Perfeito resumo imagético em um prédio, as vidas solitárias individuais se tornam ainda mais explícitas nessa visão maior. O solitário é mais só no meio da multidão.



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Próxima semana:
as alturas podem ser vertiginosas

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Homem que Sabia Demais

Filme:O Homem que Sabia Demais
Título Original: The Man Who Knew Too Much
Diretor: Alfred Hitchcock
Ator: James Stewart, Doris Day
Ano:1956
País: EUA


Entre os filmes que Hitchcock usou para me ensinar cinema, está este aqui. Um dos primeiros filmes que me encantou por sua forma cinematográfica.

A história gira em torno de uma trama internacional, na qual um casal quer recuperar seu filho de sequestradores. Envolvidos sem querer em um jogo de interesses maior, acabam descobrindo o planejamento de um atentado ao primeiro ministro.

A genialidade do filme consiste em duas cenas. Primeiro, a insistência da música "Que será, será", que nos é revelada como uma canção que representa aquela família. Quando os pais estão perto de acharem seu filho, em uma embaixada, Doris Day toca a música no piano. Seu filho, ouvindo, assobia o mais alto que consegue. E James Stewart sai atrás dele. Ele cria uma tensão com essa troca musical, que coloca o destino ao "deus dará".

Também utilizando a música, vem a cena obra prima (no youtube abaixo). O assassinato ocorrerá, muito bem planejado, em um concerto. O tiro deve sair na hora em que os pratos baterem, para que não se ouça nada. E os pratos demoram a bater. Esta utilização do tempo da música é simplesmente incrível. Diz Hitchcock que o suspense está em dar a informação ao espectador, sem dá-la aos personagens.

Mas é preferível assistir essa cena no contexto do filme, pois a sabedoria do mestre diretor é de dar as informações aos poucos e não assim, vomitado, como acabei de fazer. Mestre é mestre, não é? Vai fazer o que?


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Próxima semana:
nada como observar o vizinho!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mony Python Em Busca do Cálice Sagrado

Filme: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
Título Original: Monty Python and the Holy Grail
Diretor: Terry Gilliam, Terry Jones
Atores: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones, Michael Palin
Ano: 1975
País: EUA



Embora eu considere A Vida de Brian a obra prima do grupo Monty Python, Em Busca do Cálice Sagrado pode ser considero o filme mais memorável deles. Único na história do cinema, Monty Python conseguiu criar um forte grupo cômico que se tornou uma referência muito copiada, mas nunca alcançada.

Seu terceiro filme já não me agrada da mesma forma, O Sentido da Vida. Ele tem piadas desconexas e não consegue criar uma narrativa contínua. São piadas jogadas. Já a seqüência de piadas deste filme, menos conexas do que A Vida de Brian, encontra uma narrativa interessante.

Mais uma vez, é daquele tipo de filme que cada um tem sua piada favorita, desde os diálogos surreais até o coelho assassino.  A minha, que coloquei no youtube, abaixo, é uma que passa um pouco despercebida e que não é muito falada. Não a toa foi difícil de achar alguém que a tivesse postado.

Trata-se de uma piada de montagem. Dois guardas, na porta de um castelo, avistam a chegada de um cavaleiro ao longe. Vemos ele vindo, distante, com uma música de ação. Voltamos a tranqüilidade dos guardas. E quando revemos a chegada do cavaleiro, ele está no mesmo ponto anterior. Nesse jogo de plano e contra-plano, o cavaleiro não se aproxima nunca. De repente, inesperadamente, ele chega e invade o castelo, deixando os guardas sem reação. Genial.

Eles usam uma linguagem cinematográfica já muito explorada, que é a montagem paralela, e subvertem seu uso. No corte de um plano ao outro, temos sempre a sensação de que o cavaleiro distante é aquilo que enxergam os guardas. A sua chegada repentina mostra que, mais do que a real visão deles, foram enganados pela montagem paralela.

Talvez por serem britânicos, talvez por terem vivido uma época de humor absurdo, talvez porque viram as referência certas, no tempo certo, tenho a sensação de que as coincidências do acaso juntaram essas pessoas de uma forma como será muito raro que aconteça novamente. Infelizmente, creio que não verei outro Monty Python nesta vida.





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Próxima semana:
O que será, será.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dr. Fantástico

Filme: Dr. Fantástico
Título Original: Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
Diretor: Stanley Kubrick
Atores: Peter Sellers, George C. Scott
Ano: 1964
País: EUA


Reza a lenda que o Stanley Kubrick, no set de Dr. Fantástico, sentava em uma cadeira distante e deixava Peter Sellers trabalhar. Sentava longe para poder rir bastante sem atrapalhar seu ator, que desempenhou três papéis diferentes: o presidente dos EUA, um oficial burocrático e o Dr. Fantástico (ou Dr. Estranho Amor, em uma tradução literal).

Kubrick não costumava fazer comédias. Até por isso entregou na mão de seu ator genial a condução do humor do filme. No entanto, me agrada o tom deste humor, diferente dos que comumente vemos por aí. Uma comédia com teor político, com sátiras e ironias que incomodam a tal ponto de ter uma tela inicial, colocada pelo governo americano, esclarecendo que os personagens são fictícios e que, jamais, o exército estados unidense faria tais atrocidades.

Em meio a guerra fria, Kubrick faz uma piada de humor negro. Talvez, hoje em dia, no mundo chato politicamente correto, tais piadas fossem mal interpretadas e o seu diretor jogado na fogueira. Mas não há melhor forma de explorar este tema do que fez esse filme. Ele revela uma situação kafkaniana, na qual os sistemas automáticos de defesa permitem que um general louco ordene um ataque à Russia. 

Muito próximo do fim da vida na terra, Kubrick revela as vaidades e mesquinhez existentes na individualidade dos homens. As ligações do presidente americano ao russo são memoráveis. Há também a cena na qual o general americano e o embaixador russo brigam na sala da guerra e o presidente tem que dar uma bronca neles: "Vocês não podem brigar aqui! Esta é a sala da guerra!". Ironiza as teorias de conspiração, em uma ótima cena de Peter Sellers como o oficial burocrático com o general louco. E neste mesmo papel há a cena abaixo, no youtube, simplesmente genial.

Mas a grande atração do filme é a participação (infelizmente um pouco pequena) do Dr. Fantástico. Participante do governo americano, como líder em experimentos de guerra, este personagem é simplesmente incrível, para se sentar e assistir. Quando enfim é chamado pelo presidente para falar, ele rouba a cena enquanto todos o observam em silêncio. O modo como ele sorri falando, o modo como sua mente não controla seus impulsos nazistas, o modo como ele faz seu último discurso, um plano de sobrevivência para o fim do mundo... simplesmente genial.




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Próxima semana:
Um monty de piadas aglomeradas...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Filme: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
Título Original: Annie Hall
Diretor: Woody Allen
Atores: Woody Allen, Diane Keaton
Ano: 1977
País: EUA


Filme manifesto woddyalleniano. Começa com seu monólogo e segue em reflexões de sua relação com Annie Hall, mais uma das mulheres neuróticas deste blog. Brilhante personagem e brilhante Diane Keaton!

Os filmes do Woody Allen se misturam na minha memória. Algo que já percebi ser comum entre os amantes de suas obras. Nunca sabemos a qual filme pertence determinada piada, pois todos eles tem características muito semelhantes. Inclusive por seu protagonista, em geral o próprio urbanoide neurótico judeu Woody Allen.

No entanto, ao lembrar dos melhores momentos, todos estão aqui, em Annie Hall. A cena em que os dois conversam enquanto legendas revelam seus subtextos; a cena na fila do cinema, na qual ele chama o McLuham para participar do diálogo; o menino que diz que tem ímpetos de dirigir na contra-mão; e os constantes diálogos com a câmera.

Em seu monólogo inicial, após reflexão filosófica ele revela que está tendo problemas com Annie. Muito significativo, pois já posicionam as brigas cotidianas de um casal exatamente na mesma constante das reflexões universais. No filme, faz o inverso: nos revela suas visões de mundo ao relatar os altos e baixos de suas relações. 

A personagem de Annie é incrível. Dessas mulheres loucas que nós nos apaixonamos. Desde o primeiro encontro, aquele jeito sem jeito de mostrar interesse. Devo admitir que ela me lembra muito a Camila, minha mulher. E eu sou o próprio Woody Allen quando ela recebe um convite para uma festa, com esses tipos meio malas, e eu digo "que pena que nós marcamos aquela coisa, não é?". Ela me olha desanimada. Poderia dar mais alguns exemplos, mas acho que a intimidade demasiada com o leitor poderia interferir em nossa relação. Então vamos deixar por isso mesmo.



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http://youtu.be/qLblwVUEHyw

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Próxima semana:
Peter Sellers multi-faceta.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E Aí Meu Irmão, Cadê Você?

Filme: E Aí Meu Irmão, Cadê Você?
Título Original: O Brother Where Art Thou?
Diretor: Joel Coen (irmãos Coen)
Atores: George Clooney, John Torturro, Tim Blake Nelson, John Goodman, Holly Hunter
Ano: 2000
País: EUA


Os irmãos Coen são ótimos criadores de fábulas. Seus personagens exagerados, caricatos, em meio a situações que, em geral, remetem ao gênero "comédia de erros", criam uma atmosfera idílica, na qual podemos embarcar ou não.

Alguns casos resultam em obras primas. Outros, poucos, são filmes menores. Mas, em geral, eles conseguem utilizar clichês para um humor requintado. Neste caso, eles afirmaram, já que ninguém mais fez a relação, que sua fábula era inspirada na Odisseia, de Homero, creditado como co-roteirista.

O trio principal, de três excelentes atores, escapa da prisão e estão atrás de um suposto tesouro. Com o pé na estrada, conhecem novos personagens e novos obstáculos. Aos poucos se cria uma imagem do velho Mississipi e aquela região americana, mais racista e caipira. Em suma, um road movie.

A trilha sonora é maravilhosa, nesse estilo country antigo. Muito se baseia em velhas lendas e culturas locais. O sotaque, o estilo do velho negro americano (já serei acusado de racismo por não usar o afro-americano?), os políticos mais interessados em votos, a ingenuidade do povo, as exigências da mulher.

Entra aqui este filme porque eu simplesmente adoro todas as cenas deste filme. Me delicio em todos os momentos, com todos os personagens, em todos os "12 trabalhos", com todas as piadas sutis. E, como sempre acontece nos filmes dos Coen, os pequenos detalhes dos personagens me encantam. Suas pequenas manias e tiques são o que os tornam tão caricatos e ao mesmo tempo tão verdadeiros.



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Próxima semana:
Diretor neurótico.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Poderoso Chefão II

Filme: O Poderoso Chefão II
Título Original: The Godfather II
Diretor: Francis Ford Coppola
Atores: Al Pacino, Robert Duvall, Diane Keaton, Robert De Niro, John Cazale
Ano:1974
País: EUA



Uma das melhores sequências já feitas na história do cinema. Infelizmente o 3 é fraco e desnecessário.

Neste filme, Coppola nos conta a difícil evolução da família Corleone nos novos tempos, comandada por Michael. Paralelamente, volta no tempo para nos contar como foi que começou a história de Vito Corleone. Antes vivido por Marlon Brando, quando jovem era o Robert De Niro. Isso é que pode ser chamado de um personagem em boas mãos.

Novamente, Al Pacino é fundamental. Sua força para manter o controle de tudo e de todos, ainda mais tendo que substituir o lendário pai, o coloca em constantes conflitos. É duro, forte, rígido. Ao mesmo tempo explora seu poder, é ambicioso e intransigente. E de uma hipocrisia irritante.

Fica sozinho em sua necessidade de controlar todos esses domínios. Renega a irmã Connie, a mulher Kay, o irmão Fredo.

Já falei neste blog deste ator que faz o Fredo, John Cazale. Ao lado de Al Pacino, criam uma relação que é a melhor do filme. Entre as cenas está a excelente "you broke my heart, Fredo", que eu coloquei no youtube, abaixo. O diálogo que têm depois é espetacular, com uma luz que os transformam em silhuetas. Fredo tenta se explicar, revelando suas fraquezas. Michael cumpre seu papel, de duro e cruel defensor da família. Com toda a clareza o renega, o exclui, o humilha.

A dura tarefa de suceder o Don Corleone é também a de suceder o primeiro filme. Ambos são incrivelmente bem sucedidos, em todos os sentidos.



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Cena do youtube:


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Próxima semana:
A vila do cachorro.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Poderoso Chefão

Filme: O Poderoso Chefão
Título Original: The Godfather
Diretor: Francis Ford Coppola
Atores: Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall, Diane Keaton, James Caan, John Cazale
Ano:1972
País: EUA



Quando eu tento refletir sobre o que faz deste filme uma obra prima, tenho dificuldades pela abundância de possibilidades. Um roteiro preciso, diálogos memoráveis, personagens complexos são seus elementos de atmosfera. Mas ainda há a luz, sempre escura, cheia de sombras e os enquadramentos perfeitos, como o final. E a trilha sonora!  Tudo é inesquecível, se complementam, criam, coletivamente, uma obra.

Mas a densidade da trama é o que mais me atrai. E a forma como Coppola conduz seu enredo, acrescentando personagens sem pressa, nos envolve em sua família como ninguém. Buscar esse olhar mais intimista, dentro das organizações criminosas, é o que faz com que nos sintamos parte. Não há, aqui, espaço para maniqueísmos, são todos reais, com interesses, com intenções, com dúvidas, com pecados e morais.

E a complexidade de seus personagens, não a toa, torna o filme grandioso. Pois uma planificação deixaria suas ações óbvias. Desta forma, eles atuam em suas nuanças. Marlon Brando é perfeito como o Don Corleone que, apesar de padrinho de enorme respeito, não vê entre os seus filhos um sucessor. O mais velho, Sonny, é explosivo e emocional. Fredo é fraco e instável. E a Michael, vivido por Al Pacino, Don Corleone reservou um futuro longe do crime. Casado com uma moça inocente, não se sente parte daquele meio. Já a Tom Hagen (Robert Duval), que é considerado como um filho, cabe o papel de o sábio administrador e advogado.

Em uma de minhas cenas favoritas (no youtube abaixo), o Godfather corta uma reação explosiva do filho Sonny, em uma reunião com outro chefe de máfia. Depois vem a moral: "nunca diga o que você está pensando para alguém que não é da família". O Poderoso Chefão é brilhante porque não conta a história de uma família criminosa, mas sim de uma família.

E, sem pressa, Coppola nos mostra o tempo passando e as mudanças ocorrendo. Os ataques a família Corleone, a morte de Sonny e a necessidade de um substituto cada vez mais evidente. Neste contexto surge a força da personalidade de Michael, que não poderia deixar de ser o líder em necessidade.

Não é fácil contar histórias grandiosas como essa. Muitas delas me cansam, como 1900, de Bertolucci; Leopardo, de Visconti ou Barry Lyndon. de Kubrick. São bons filmes, mas com a difícil tarefa de contar uma história que evolui no tempo. Mais fáceis são os pequenos recortes, tendem a ficarem melhores. No entanto, Coppola consegue passar tudo, no tempo certo, com a ajuda imprescindível de seus mestres atores.


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Cena do youtube:


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Próxima semana:
A melhor continuação de um filme.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Grande Ditador

Filme: O Grande Ditador
Título Original: The Great Dictator
Diretor: Charles Chaplin
Atores: Charles Chaplin, Jack Oakie
Ano:1940
País: EUA



Muitos já falaram sobre este filme e suas maravilhas. O primeiro filme falado de Chaplin, as excelentes ironias de Hinkel e Napaloni, no lugar de Hitler e Mussolini e a coragem de um filme feito em uma época, para seu tempo, sobre seu tempo. Duro tempo.

As cenas incríveis de Hynkel dançando com seu globo, a excelente disputa fútil entre os dois ditadores, as cenas mais chaplinanianas do barbeiro judeu. Enfim, inútil eu ir por esse caminho.

Tenho a impressão que este filme foi feito a partir de um discurso imaginário de Chaplin. (cena do youtube) Coincidentemente, seu companheiro de bigode foi o tal do ditador alemão.  Só os dois são lembrados por esse bigode, quase impossível de se ver nas ruas, hoje em dia. Chaplin pode ter sonhado com o dia em que, por uma coincidência inexplicável, o tomassem pelo ditador e, ao invés das palavras de ódio, ele pudesse expressar amor. Fico imaginando que o resto do filme surgiu daí.

Assim o filme se justifica, com o barbeiro judeu sendo confundido com o ditador Hynkel, líder da Tomania. E sem saber o que dizer, faz um discurso cheio de uma boa vontade de ajudar o próximo, de unir os povos, de celebrar a igualdade. Mais tarde Chaplin seria acusado de comunista e perseguido por isso. Com certeza há nesse discurso motivo suficiente para esta acusação. "Let us all unite", assim termina seu discurso.

Ora perseguido por crenças religiosas, ora políticas. A reflexão que assistir o filme hoje em dia nos trás é de que, infelizmente, pouco evoluímos nesses últimos dez mil anos. Nos forçamos a enxergar bondade e justiça em um mundo cruel que criamos, para que consigamos dormir sem grande peso na consciência.

Mas quando questionamos profundamente para onde estamos indo, e se estamos sendo bem sucedidos, percebemos que ainda seguimos a lógica de dar dois passos atrás para dar um a frente. O que nos coloca muitos passos atrás do próprio início.

Outro dia, vendo uma palestra do Ladislau Dowbor, gostei muito de uma análise que ele fez. Disse que, em visita a uma dessas lojas de construção, reparou que há uma enorme variedade de opções para tampas de privada. De todos os formatos, materiais e cores. Atividade relativamente prosaica, comentou. No entanto, para tantos outros trabalhos essenciais, como alfabetização, prevenção de saúde, etc, estamos defasados. Sua conclusão é que temos um problema de organização social. A minha conclusão é que, em uma bifurcação há muito já deixada para trás, escolhemos o caminha das tampas de privada.





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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Ditador maestro.
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