segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Vida de Brian

Filme: A Vida de Brian
Título Original: Life of Brian
Diretor: Terry Jones (Monty Python)
Atores: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones
Ano: 1979
País: Inglaterra


Entre aqueles que amam e odeiam, os que entendem e os que se irritam, está o melhor grupo cômico da história do cinema: Monty Python. Britânicos, claro. Judeus? Provável.

A Vida de Brian é a obra prima do Monty Python, embora seja justo colocar ainda nessa lista Em Busca do Cálice Sagrado, que mais hora menos hora aparece por aqui. A estrutura narrativa é feita da seguinte maneira: piada atrás de piada. Mas neste filme elas são unidas a uma excelente análise crítica de muitos valores.

O filme conta a história de Brian, que nasce no mesmo dia de Jesus e vive sua vida comum e ordinária no mesmo espaço e tempo que ele. Sendo uma personagem secundária e utilizada apenas para contextualização de época, Jesus pouco aparece. Mas em cima de cada piada é possível formular teorias de mestrado.

Há a excelente descrição de qualquer árabe ou judeu, no personagem do comerciante que tanto quer pechinchar. Há a excelente análise das disputas internas tão desnecessárias nas cenas que envolvem a Frente Popular da Judeia, ou seus arqui-inimigos Judeus da Frente Popular (em tradução livre). Mas a crítica mais dura é uma análise feita pelo filme sobre a carência de crenças do povo da época. Sem querer, Brian é perseguido como Messias, e seus discípulos, em menos de cinco minutos, se dividem em linhas diferentes e, pouco depois, se unem para perseguir um "herege".


Perfeito. Do início ao fim, incluindo a abertura e a bizarra sequência do alienígena.


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Cena do youtube:


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Próxima semana:
Desenho animado francês não é tão animado assim.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cortina de Fumaça

Filme: Cortina de Fumaça
Título Original: Smoke
Diretor: Wayne Wang, Paul Auster
Atores: Harvey Keitel, Willian Hurt
Ano: 1995
País: EUA


Certa vez um amigo definiu este filme como "um filme de macho". Não por ser violento, escatológico ou coisa que o valha, mas por ter uma moral de valores muito forte em seus personagens.

Há uma relação de personagens muito parecida com a do filme Zorba o Grego, entre o escritor que não vive e o personagem vivo que não expressa sua arte. No entanto, aqui, Auggie, o dono da Tabacaria, acaba sendo mais profundo em sua obra de vida do que o escritor Paul, cliente assíduo da tabacaria. Na melhor sequência do filme, Auggie mostra os albuns de fotos que tem tirado há muitos anos (cena do youtube). Paul olha com interesse, mas com certa inquietação por não compreender as razões daquelas fotos, uma por dia, todos os dias, na esquina da tabacaria.

Em outro momento, quando Paul precisa de um conto de natal, recorre a Auggie. Claro, diz ele, conheço toneladas delas. E é necessário dizer que o Harvey Keitel é outro ator que é do caralho. Apenas em plano e contra-plano ouvimos a história com a atenção de quem está na mesa e quer participar da conversa.

Esses dois momentos valem o filme. De resto, como sempre, o interesse cultural de ver uma visão de Nova Iorque mais de submundo, menos Woody Allen e mais Scorsese. Estas carapaças culturais nos quais os filmes estão envolvidos são sempre atrativos a mim.



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Próxima semana:
Vamos celebrar o nascimento do menino Brian!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Arquivo de Olhos - Johnny Depp

Em novembro, Johnny Depp em Dead Man, na pele de William Blake.


Desconstruindo Harry

Filme: Desconstruindo Harry
Título Original: Deconstructing Harry
Diretor: Woody Allen
Atores: Woody Allen, Billy Cristal, Robin Willians, Judy Davis
Ano: 1997
País: EUA
















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Próxima semana:
Uma esquina, uma tabacaria.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Festa de Família

Filme: Festa de Família
Título Original: Festen
Diretor: Thomas Vinterberg
Atores: Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen, Paprika Steen
Ano: 1998
País: Dinamarca


Família constitui uma forma de relação muito interessante. Diferente de tudo aquilo que vamos construindo durante a vida, escolhendo caminhos, excluindo possibilidades como as de Lola, escolhendo outras, a família nos obriga certas relações que, se a situação fosse outra, procuraríamos não tê-las.

Somos, portanto, obrigados a suportar aqueles seres indesejados. E no entanto, como ensina Don Corleone, nada é mais forte do que a famiglia! Mas esses grandes organismos, que geram relações muito estranhas e surpreendentes, tendem ao, no modo popular de dizer, barraco. Ou seja, mais dia menos dia o cunhado lembra que o primo está devendo, que o irmão sempre viveu as custas dele, a tia diz que a avó do outro lado não faz nada, que sobra tudo para ela. Os ânimos se exaltam, uns tentam por panos quentes, outros defendeu seu lado e a quebra é inevitável. Toda família tem seus podres. Ainda estou para conhecer uma sem eles. (que família chata que seria essa!)

Bom, há um lugar primordial para a organização de tais barracos familiares, que são essas festas de família. Sabe? Pode ser enterro, casamento ou uma grande festa do patriarca, como é o caso aqui. O filho, incentivado por antigos funcionários e pelo álcool quer lavar a roupa suja (bem suja, aliás) neste grande almoço de confraternização, que lembra muito as situações de Buñuel, da burguesia sentada à mesa. Em qualquer festa que eu vá, casamentos, festa de natal, enterros e coisas do gênero, ali está a Festa de Família, que não me foge a memória.

Vale ressaltar a importância do movimento cinematográfico que faz parte este filme, o Dogma95, idealizado por Thomas Vinterberg e Lars Von Trier (talvez mais alguns que eu não saiba). Espécie de reedição da Nouvelle Vague, o movimento justificava a baixa qualidade técnica de suas produções, como Os Idiotas e Italiano para Principiantes, com o pretexto de ir contra um modelo de cinema mega produzido, farsante. Não filmavam em estúdio, não utilizavam luzes a criar uma atmosfera que não fosse real, não usavam trilha sonora colocada em pós-produção, e de preferência filmavam sem atores. Assim como foi o neorealismo italiano e o cinama novo brasileiro, cada qual com suas características. Com exceção do Italiano para Principiantes, que é um filme leve e cômico, os filmes do Dogma95 tendiam a uma atmosfera pesada, de duras críticas e forte realidade. Creio aí que há algo nesse povo nórdico que requer essa atmosfera. Os filmes de Haneke, austríaco, também caminham por esse lado.

A proposta era encantadora, mas os resultados nem sempre seguem a risca. Dos que vi, apenas este é uma obra prima. Mas só por ele já valeu o movimento ter existido e vingado.




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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Harry?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dezembro - Feliz Natal

Dezembro é um mês de fim de ano. De muito trabalho (até por isso minha dedicação ao blog está um pouco menor). De muito trânsito. De muita alegria (real e forçada). De festas.

Por isso a seleção deste mês está especialíssima!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Zorba, o Grego

Filme: Zorba, o Grego
Título Original: Alexis Zorba
Diretor: Mihalis Kakogianni
Atores: Anthony Quinn e Alan bates
Ano: 1964
País: EUA, Grécia



Zorba é uma dessas pessoas que se encontra neste mundo, vagando por aí que, não se sabe muito bem porque, emana uma grande sede por viver. Um desses que, como se diz, tem diploma de vivência ao invés do universitário.

Encontra um escritor, dono de uma terra meio abandonada e se voluntaria, quase que forçosamente, a ser seu empregado. Como acontece bastante nos filmes, o escritor aprende muito com aquele inculto homem. Talvez os roteiristas e cineastas tenham certo trauma de suas incapacidades de viverem tão intensamente como o Zorba e por isso essa combinação de personagens se repete.

Além da monstruosa atuação de Anthony Quinn, dois aspectos do filme merecem muita atenção. Um é a cultura grega retratada de forma muito interessante. Em alguns momentos me lembra o Brasil interiorano, com as pequenas cidades de fofocas, o boteco, o olhar desconfiado e a moça bonita que serve de "Geni" da vizinhança.

O outra é a inesquecível dança grega (na cena do youtube abaixo).

Eu admito que não sou grande fã da categoria cinematográfica "Viva a Vida!", esses filmes ensolarados e que muito nos ensinam sobre como deveríamos viver. Mas aqui está um exemplo que entra e sai desta categoria ao bel prazer e mesmo assim merece toda a atenção.



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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Família, esse grande organismo, que relações estranhas...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Onde Você Vai?

Filme: Onde Você Vai?
Título Original: Idem
Diretor: Victor Fisch
Atores: Berta Zemel, Luiz Serra
Ano: 2010
País: Brasil

curta-metragem


Este é um filme extra. Não tenho a pretensão de considerá-lo entre os 100. Nem sequer o centésimo primeiro.

Este é um curta, escrito e dirigido por mim, inspirado em meus avós. No deserto eloquente do meu avô e na inspiração poética causada pela eisheimer de minha avó. Elias e Sonia se perdem no tempo, se prendem ao relógio da sala e a lista de afazeres e não mais se libertam.

Filmamos em fevereiro deste ano, finalizamos em outubro. Estreia agora, neste sábado dia 27 de novembro, no Festival de Brasília. Neste meio tempo faleceu o Elias real e a Sonia real.

A Berta Zemel, quando viu um trecho do documentário "Arquivo Familiar" que fiz, no qual retratei um pouco da vida deles, disse: "a vida real é bem mais bonita do que a ficção". Falou com humildade.

Além de me inspirar nesta vida cotidiana de meus avós, no esquecimento de minha avó, me inspirou a música de Nina Simone, "Who Knows Where The Time Goes" e em especial o início narrado pela musa.

o filme terá um site: www.curtaondevocevai.com
e tem página no facebook: aqui


Torrent: ainda não...



Trailer do youtube:





segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Fraternidade é Vermelha

Filme: A Fraternidade é Vermelha
Título Original: Trois couleurs: Rouge
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Atores: Irene Jacob, Jean-Louis Trintignant
Ano:1994
País: França, Polônia



A Fraternidade é Vermelha é uma espécie de Amelie do Kieslowski. Uma mulher que quer resolver os problemas alheios. Mas muito mais profundo e sutil. São característica que, não necessariamente, desmerecem ou enaltecem um filme do outro.

Aqui, as questões que Valentine querem resolver aparecem na vida dela na figura de um juiz aposentado que gosta de vigiar as ligações dos vizinhos. Esta relação entre os dois é a espinha dorsal do filme. E é belíssima. A dureza do velho cética contra a pureza da menina que quer acreditar no mundo belo e justo.

E eu devo admitir que as fraquezas íntimas das pessoas são muito interessantes a mim. Mais para frente deve aparecer por aqui o filme Felicidade, do Todd Solondz, genial. O juiz vigia com desesperança os podres íntimos de seus vizinhos. Mostra para Valentine um casal com filhos, a mulher está preparando a refeição enquanto o marido a trai pelo telefone. Valentine não aguenta a cena e quer intervir, o juiz incentiva. Mas ao tocar a campanhia, ser bem recebida pela dona da casa e ver a filhinha ouvindo a conversa do telefone, ela não consegue agir.

Este filme faz parte da trilogia das cores, mas eu considero este o melhor deles, seguido pela A Igualdade é Branca, ótima comédia e o que não me agrada A Liberdade é Azul. É excelente a integração entre eles, também muito sutil, como uma passagem de um personagem de um dos filmes pelas terras de outro. Como se a ligação entre eles fosse muito distante e ao mesmo tempo extremamente próxima. Afinal, são todos bons personagens em suas profundas entranhas.


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Cena do youtube:


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Próxima semana:
O filme predileto de minha mãe.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Calma

Queridos leitores, peço desculpas por não estar cumprindo fielmente minhas palavras de escrever toda semana, mesmo que poucas linhas, sobre os filmes.

Talvez a viagem do Zé, talvez o pós Ponto de Mutação, talvez o excesso de coisas e o fim de ano. Devo admitir que as coisas se atropelaram. Quando planejei inicialmente este blog era para que, nesta altura do campeonato, já tivesse visto todos os filmes que entrarão até o final do ano, e escrito sobre eles. Mas não rolou. Então peço um pouco de paciência...

abraços

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Amélie Poulin

Filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Título Original: Les Fabulaux Destin D`Amélie Poulain
Diretor: Jean-Pierre Jeunet
Atores: Audrey Tatou, Mathieu Kassovitz
Ano: 2001
País: França



Amelie Poulin foi uma explosão. Uma explosão de alegria que encantou as pessoas por todo canto. Os filmes de Jeunet, assim como os do Tim Burton, são fábulas escancaradas e bem assumidas. Mas entre todas elas, esta é a mais completa e bem resolvida. As milhares de referências e detalhes criam uma grande riqueza de um mundo a parte, o que as outras fábulas não tem a capacidade de alcançar.

Mas como e por que Amelie é tão diferente?

A narrativa de Amelie vem de um conglomerado de informações. Alguns foram até entrevistar o Jorge Furtado para saber se era plágio de Ilha das Flores, o famoso curta brasileiro. Com certeza roubaram um pouco dali. Mas são tantas as fontes e é tão discarada a multiplicidade de fontes que seria injusto diminuir o filme a isso. Amelie quer ajudar a todos, fala sobre os pequenos detalhes da vida, sobre os pequenos prazeres, sobre os pequenos relacionamentos. Alguns são apaixonados pela história do anão viajante, outros pela coletânea de fotos três por quatro, outros adoram a cena em que se testam os ditados populares e por aí vai. Eu, particularmente, gosto das pequenas reflexões, do tipo "quantos casais estão tendo orgasmo neste instante?"


Tecnicamente perfeito. Plasticamente encantador. Musicalmente preciso. Como diria um amigo meu, José Silvério: "um filme para encantar ao mais frio espectador, alex miller!"




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Cena do youtube:




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Próxima semana:
Liberdade, Igualdade e

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Asas do Desejo

Filme: Asas do Desejo
Título Original: Der Himmel uber Berlin
Diretor: Wim Wenders
Atores: Bruno Ganz, Solveig Dommartin, Otto Sander
Ano: 1987
País: Alemanha









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Cena do youtube:




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Próxima semana:
A francesinha que agradou gregos e troianos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Arquivo de Olhos

Em outubro, o imprescindível Marccelo Mastroianni!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dead Man

Filme: Dead Man
Título Original: Idem
Diretor: Jim Jarmusch
Atores: Johnny Depp, Gary Farmer
Ano: 1995
País: EUA



Eu ia começar esse post dizendo que o Jim Jarmusch é o primeiro diretor que se repete aqui, mas seria uma informação falsa, uma vez que o João Moreira Salles já apareceu duas vezes.

O link que se faz com o último filme é William Blake, proposital. Dead Man é um filme de faroeste, se tivéssemos que classificá-lo em algum gênero, no qual o herói é o William Blake vivido por Johnny Depp e seu tutor é o índio Nobody (que não tem origem indígena). O Jim Jarmusch tem uma incrível capacidade de dar toque pessoal a seus filmes, independentes do gênero. Os roteiros já vem carregados de suas impressões, mas a narrativa é mais característica ainda.
Em geral, percebam, ele faz filmes bem humorados, mas sem piadas. O humor é criado pela linguagem, pela decupagem, pela sequência de planos e por seus personagens únicos. Duas sequências de Dead Man são especiais para mim: a introdução e a revelação de William Blake ao seu tutor Nobody.

Na primeira, que coloquei no youtube, em uma sequencia silenciosa da viagem de trem do protagonista ao velho oeste, muita coisa se revela. São três planos principais: o primeiro plano dele, as rodas girando e o contra-plano de dentro do trem e seus passageiros. Com essa trinca ele cria humor, porque as reações do Johnny Depp são excelentes, mostra que temos um personagem que vem de uma cidade grande, mais "civilizada", pois a viagem começa com passageiros mais bem comportados e a paisagem vai mudando, aos poucos aparecem cabanas indígenas, os passageiros se tornam mais barbudos e mal encarados, carregados com armas e chapéus. O pobre e inocente William Blake é introduzido ao mundo cruel e selvagem do velho oeste.

Depois de começar uma peregrinação kafkaniana em seu destino, ele como espécie de agrimensor sem encontrar seu castelo na cidade na qual foi lhe prometido emprego de contador, começa a gerar conflito entre os moradores locais. Quando foge para o meio da floresta é salvo por Nobody, o índio com cara de americano, que, ao saber seu nome, declara sua missão em uma cena incrível. 

Você é o William Blake? Você já foi poeta e pintor e agora fará poesia com o sangue do homem branco. E ele cita a poesia: Every night and every morn some to misery are born, every morn and avery night, some are born to sweet delight". Aceitando sua missão, William Blake escreve sua nova poesia guiado por Nobody.


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Cena do youtube:



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Próxima semana:
Repetindo diretores... e seus anjos.

Novembro - Lições de Vida

Em novembro, filmes que falam da vida. Filmes que ensinam. Mas nada de sentimentalismos e romantismos, alguns ensinam com sangue, outros com morte, outros com poesia.

São filmes com ensinamentos profundos, mas que, talvez, só aos sábios sirvam.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Ponto de Mutação

Filme: Ponto de Mutação
Título Original: Mindwalk
Diretor: Bernt Amadeus Capra
Atores: Liv Ullmann, Sam Waterston, John Heard
Ano: 1990
País: EUA, França


 
Ei-lo. O filme alvo, o resumo, o plot point. O livro de Capra é de 83. O filme, que aproximou na tradução o livro referência, no original é mais despretencioso: passeios da mente, ou algo do gênero. 

A ideia é simples: uma conversa entre três pessoas de três mentalidades distintas, mas com objetivos comuns, com base nos conceitos do livro de Capra. Um é um político derrotado (dizem que o alter ego do Al Gore), outro um poeta, descrente, cético. A terceira (Liv Ullmann) é a cientista iluminada que traz uma nova mentalidade à luz. Se encontram em uma ilha francesa que, como diria o Zé, as vezes não é uma ilha.

E este filme me tocou fundo na alma e no meu pensamento. Foi crucial para me abrir as "portas da percepção", como diria o eterno poeta William Blake, muito citado neste filme. O personagem poeta, sempre que encontra uma iluminação cita uma frase dele, este mestre que permeia muitas épocas e conceitos.

As ideias ali apresentadas - e devemos admitir que já estamos um pouco atrasados - agora começam a florescer timidamente na sociedade, ainda sob disfarces imensos. E ela, a cientista, insiste que uma mudança - como quer o pragmático político - só virá quando mudar a visão por completo. A mudança vem no pacote. Mas o que é esta nova visão?

Difícil resumir aqui, pois ficará tosco e sem o mesmo valor, mas essencialmente é a compreensão de que todas as coisas estão interconectadas. Sejam ações humanas, relações entre pessoas, o funcionamento da natureza e as políticas de uma prefeitura.

Ela desconstroi a visão da física como a conhecemos para revelar que quase não existe matéria nos objetos, que eles são feitos essencialmente de vácuo. E daí? O que cria as coisas como elas são é uma maluquice de relações de elétrons, que não conseguimos controlar e nem observar. Esquisito, mas e daí? É o que me perguntei. O que uma coisa tem a ver com a outra? Por que raios ela está falando de física quântica? 

Mas é aí que está o ponto. Quando se compreende que as coisas são feitas de relações e não de matérias sólidas e definidas, e quando se transporta este conceito abstrato para uma esfera global... o pensamento engata e vivemos uma espécie de Aleph (conto do Borges em que o personagem vê todas as coisas do mundo em um único ponto).

Quem viu o filme Avatar, viu este mundo (dos índios azuis), no qual a visão de interconexões está muito presente e é o grande mérito do filme. (embora tenha várias críticas ao modelo americanoide que o envolveu).

Por fim, este também é um ponto de mutação deste próprio blog. Creio que os meus leitores e espectadores dos filmes que até aqui foram postados chegam a maturidade com este filme. Acaba-se, portanto, a introdução, o primeiro terço dramático da trama. Que as portas das percepções estejam abertas e receptivas!


Torrent: download aqui
Legenda: download aqui



Cena do youtube: (as seleções de melhores partes no youtube feitas pelo usuário dantemoretti são muito boas)
 

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Próxima semana:
William Blake fazendo poesia com sangue

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Arquivo de Olhos

Em setembro, o olhar do mestre Eduardo Coutinho, documentarista brasileiro.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Santiago

Filme: Santiago
Título Original: Idem
Diretor: João Moreira Salles
Ano: 2007
País: Brasil

documentário


Quando comentei Jogo de Cena, do Coutinho, havia dito que 2007 foi o ano que mudou o documentário nacional. Santiago é a segunda razão para tal. João Moreira Salles, que considera Coutinho como mestre e produz os documentários e projetos dele, também faz suas obras primas.

Santiago era um projeto de documentário abandonado, filmado em 1992, sobre uma figura muito interessante, que era o mordomo da família Salles, Santiago. Por si só já seria suficiente para um bom documentário, desses que investigam um bom personagem, caricato e engraçado, perdido no tempo. Santiago tinha peculiaridades muito interessantes, como o fato de ser um aficcionado pela linhagens de famílias nobres e conhecer todas as histórias, fofocas e boatos que rondavam essas famílias.

Mas não era suficiente para ser um tesão. Salles sabia disso e teve que esperar sua própria maturidade para encontrar nos negativos abandonados a sua própria história e uma auto-reflexão. Resumindo, deixou o filme com toque pessoal. Colocou uma narração em primeira pessoa (na voz de seu irmão), explorou as pontas do negativo, onde estava a sua relação com o personagem e explicitou referências: musicais, Ozu e Bethoven.

Não sei se eu teria coragem de fazer o que ele fez, pois as cenas que ouvimos os diálogos do mordomo com seu patrão nos dão certa angústia e desgosto pelo diretor, que maltrata e menospreza seu mordomo. Mas ele faz questão de mostrar suas fraquezas e, de certa forma, pedir perdão por não conseguir transpor a relação patrão-empregado para uma relação documentarista-objeto.

Talvez aí eu veja uma interferência de Coutinho na vida de Salles. Creio eu, de forma muito subjetiva, que Coutinho ensionou-o a gostar das pessoas, a se encantar com todo e qualquer personagem, a colocar as pessoas no pedestal mais alto da hierarquia documental.

E além de tudo isso (!), que fotografia linda! (do Walter Carvalho) Que montagem precisa! E ouvi dizer que este nosso pequeno gênio do cinema, não sei porque, cansou de brincar com a sétima arte e não tem novos projetos. Faço um apelo para que o João Moreira Salles não nos deixe na mão...



Torrent: download aqui
(não encontrei torrent deste filme, mas este blog para onde leva este link tem a possibilidade de baixar o mesmo em duas partes)



Cena do youtube (trailer):


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Próxima semana:
Uma conversa, uma outra visão.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Arquivo de Olhos

Agosto, a construção dos olhos da paixão de Truman...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Homem com a Câmera

Filme: O Homem com a Camera
Título Original: Chevolek kino-apparatom
Diretor: Tziga Vertov
Ano: 1929
País: Rússia (União Soviética)

documentário


Um Homem com a Câmera é, acima de tudo, uma grande referência. Um dos primeiros documentários criados com imagens cotidianos e recheados de conteúdos criados a partir da montagem. Muitos depois dele o reproduziram com seus devidos olhares locais e temporais.

O princípio do documentário é simples: Vertov faz um retrato da União Soviética, das pessoas, dos esportes, do trabalho, das ruas e da sociedade. Diferencial é o modo como as imagens são combinadas na montagem, inclusive com um clássico efeito do palácio sucubindo na divisão das imagens. Em outros efeitos, combina imagens diferentes com sobreposições e animações stop motions.

Segundo diferencial importante é a metalinguagem. A câmera e o processo fílmico fazem parte da dramaturgia do enredo. Se há história no retrato de Vertov, é a história de seu processo de criação, da câmera viajando por todos os lugares e pessoas e da montagem.

O famoso Koyanisqaatsi e o mais recente Baraka seguem a mesma linha de documentário, mostrando diversos processos humanos e naturais, através de imagens e trilha apenas, sem intervenções de textos ou entrevistas.

A velocidade da montagem, para 1929 e para os dias de hoje, é de dar inveja aos videoclipes tão ágeis que fomentam mtvs da vida.

Enfim, excelente como estudo histórico e analítico. Talvez não seja o mais atraente dos filmes, mas é sem dúvida uma obra prima do cinema.





Torrent: download aqui




Cena do youtube:





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Próxima semana:
Porque é Bethoven.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fellini 8 1/2


(cartaz gentilmente roubado do cineclube UEPA, de Belém do Pará)

Filme: Fellini 8 1/2
Título Original: Otto e Mezzo
Diretor: Federico Fellini
Ator: Marccelo Mastroianni
Atrizes: Claudia Cardinale e Anouk Aimeé
Ano: 1963
País: Itália




Antes de qualquer coisa, devemos agradecer ao Senhor pela existência de Marccelo Mastroianni.

Posto isso, vamos ao ensaio pessoal de Fellini, a sua autobiografia. História de um cineasta em crise com suas obras, com sua vida, repleta de mentiras e sonhos.

O tema principal, que permeia o filme todo é a mentira e a verdade. O real e o fictício. O imaginário do cineasta vivido por Mastroianni sempre vem a tona. Ele está tentando fazer um filme sobre sua própria vida e é de sua mulher que vem as palavras que mais lhe tocam a alma: "sua vida é uma inteira mentira".

Todo artista e autor tem este grande conflito interno. Falar sobre sua própria vida é um grande peso, mas é ao mesmo tempo o que pode sair de mais cristalino em sua arte. Quanto mais profundo e mais pessoal, mais real, mais sincero. Mesmo que Fellinni adore os personagens fantásticos e brinque com linguagem surrealistas de sonhos neste filme, podemos sentir o realismo de seus sentimentos. A sequência inicial é, aliás, maravilhosa. (coloquei no youtube abaixo)

E nesta metalinguagem dentro de metalinguagem, o cineasta Guido também vive em suas mentiras os seus momentos mais sinceros.

Eu tenho grande apreço por obras que vão nesta linha pessoal, pois creio ser aí que encontram-se os maiores tesouros. Pois somos todos indivíduos únicos e diferentes. E se quisermos ser iguais, muitas regras existem, filmes são produzidos por tabelas, roteiros são criados como produtos. Mas para sermos autênticos, a única regra é buscarmos na nossa essência algo que justifique um sentimento.

Para terminar volto ao Marccelo Mastroianni. Que coisa incrível que ele conseguiu construir, um personagem com sutilezas e humanidade, com pequenos trejeitos, com infantilidade e bom humor. Agradecemos ao Senhor a existência de Mastroianni e de Fellini.




Torrent: download aqui





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Próxima semana:
Como os russos vêem o real.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Post pós-eleição

Caros, peço desculpas, mas nesta última semana antes das eleições brasileiras foi impossível assistir o Fellinni que tinha prometido. Então adio ele para esta terça-feira.

Estou devendo também algumas atualizações para outubro, uma explicação melhor sobre o que será este mês por aqui, mudança de foto e tal.

As eleições brasileiras, acabo percebendo, que muito tem do processo deste blog. Vejo que os filmes que me marcaram e que entram aqui são muito importantes para a formação das minhas opiniões políticas, da minha visão de mundo e do ser que sou, por completo. Imagino que, a somatória dos traços originais de um ser com as influências culturais e socias resultam no ser por completo. E aqui estou eu, exposto.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Outubro - A reflexão do Real

Em Outubro, para completar os três meses do real, vem a Reflexão do Real.

O que seria isso?
Bom, minhas referências políticas e socias estão resumidas nestes meses. São também três níveis de entendimento e compreensão. No primeiro tratei dos filmes mais diretos, mais preto no branco. Eram filmes de revelações, de observação, de relação direta com o nosso tato.

Depois veio a dúvida. Filmes mais cinzas, mais brincalhões (ou fanfarrãos), mais relacionados ao nosso cérebro. 

E agora o real virou subjetivo e tudo é real ao mesmo tempo que nada. O que é mais real é o mais sincero, o mais belo, o mais pessoal. Cada qual com sua visão, sejam italianos, russos, brasileiros, americanos ou franceses. Vamos discutir nossas percepções e perceber que há uma outra visão possível.

Encerra-se neste mês o meu curso de visão de mundo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Close-up

Filme: Close-up
Título Original: Nema-ye Nazdik
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1990
País: Irã

documentário (ou não?)


É necessário parar, pois aqui não se trata de um filme normal. Respire fundo até abrir sua mente para uma nova linguagem.

Este documentário meio ficção parte de um fato curioso ocorrido no Irã. Certo rapaz foi preso por se fazer passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf (o mesmo de Salve o Cinema). E o que queria o sujeito com seu crime? Não muito, não era um golpista ou coisa do gênero, nada de criminoso. Se passou pelo cineasta pelo simples fato de o terem confundido e pelo prazer de poder ser, por alguns momentos, aquele ídolo que tão bem representa o sofrimento do povo iraniano. Kiarostami não aguentou tamanha tentação e foi atrás do rapaz na prisão. (assista a cena do youtube)

Depois, Kiarostami levou o rapaz para a mesma casa na qual cometeu os crimes e fez com que, tanto o criminoso como as vítimas atuassem em uma representação daquilo que havia ocorrido. E ainda envolveu quem na trama? O próprio Makhmalbaf. Loucura.

Mas que coisa incrível! Que poesia! Kiarostami busca conversar com seu personagem atrás do que motivou aquele crime e só encontra uma grande paixão dele por cinema. No julgamento, o próprio Kiarostami pede permissão para fazer indagações. Adoro esta cena em particular, pois revela algo que comentei no Salve o Cinema, do poder que o cinema iraniano tem em sua sociedade. A tal ponto que a pergunta de Kiarostami é levada em consideração no mesmo peso que a do juiz, que também é entrevistado.

Este caminhar na linha tênue entre a ficção e a realidade me traz muito interesse. Em primeiro lugar porque enaltece o poder do naturalismo. Em segundo lugar porque questiona a necessidade de se qualificar um filme nesses aspectos. Eu costumo colocar em meus filmes - e faço disso uma meta - aquela clássica frase "baseado em fatos reais", como um selo de qualidade. Ora, a realidade dos fatos não faz de um filme ruim um bom filme. Nem tampouco determina que um filme fantástico não possa ser, em sua essência, mais real do que um filme naturalista. E, afinal de contas, todo e qualquer filme é baseado em fatos reais, por mais fantásticos que esses sejam.

Para concluir este mês de piração, que eu adorei fazer, recomendo um filme que não está na minha lista, só porque é um pouco mais longo do que deveria, mas que eu adoro a loucura dele, que é um português chamado "Aquele Querido Mês de Agosto".


Torrent: download aqui
Legenda: download aqui
(tem poucos seeders, então, ao baixar, compartilhe)



Cena do youtube:





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Próxima semana:
A piração de Fellinni

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Salve o Cinema

Filme: Salve o Cinema
Título Original: Salaam Cinema
Diretor: Mohsen Makhmalbaf
Ano: 1995
País: Irã

documentário (ou não?)


Um jogo de cena iraniano, para quem viu o post da semana passada.

Me parece que a relação cultural que o iraniano tem com o cinema de seu país é a mesma que o indiano e o norte-americano. A mesma relação que o brasileiro tem com as novelas. As celebridades do país, que aqui são os atores das novelas (ou qualquer palhaço que chama a atenção na telinha), no Irã são os renomados diretores e atores que fazem sucesso com seus filmes no mundo inteiro.

Assim, Makhmalbaf, uma dessas celebridades, coloca um anúncio no jornal, anunciando testes de atores para seu próximo filme. É importante considerar que o modelo do cinema iraniano, indo de volta aos primeiros filmes deste blog, traz o naturalismo e o trabalho com não atores. Comentei algo sobre isso nos filmes neo-realistas italianos, como Ladrões de Bicicleta e A Terra Treme. Consequência: uma multidão de candidatos se colocam a disposição dos testes para um papel no filme. A sequência inicial mostra a enorme fila de pessoas na entrada do estúdio, como se fosse fila de emprego em supermercado em época de crise.

E o filme é a relação do Makhmalbaf com esses candidatos. Uma espécie de reality show, dos testes feitos, dos exercícios que ele submete aquelas pessoas, das histórias profundas e reais que surgem dali. Não pode se dizer que é o mais ético dos experimentos, mas é sem dúvida dos mais interessantes e divertidos.

Como em Ser e Ter e documentários sobre animais do Discovery Channel, Makhmalbaf precisa contar histórias, gerar conflito, provocar os seus objetos de estudo para que algum se manifeste, para iniciar um diálogo, para gerar conteúdo. E o suco que sai desse limão espremido é sensacional.

Este filme é uma daquelas pérolas prometidas por esse blogueiro, desses que você não vai encontrar na locadora (eu acho), mas que precisa ser visto, repassado, compartilhado, repensado. O Jogo de Cena do Coutinho tem muito deste filme, o convite pelo jornal, o ambiente simplista e único do filme. Divergem em um ponto: Coutinho protege seus personagens mas brinca com seus espectadores, enquanto Makhmalbaf diverte seus espectadores ao enganar seus personagens.




Torrent: download aqui
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(tem poucos seeders, então, ao baixar, compartilhe)



Cena do youtube (achado da Miriam):







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Próxima semana:
Esses iranianos são muito pirados... Kiarostami e Makhmalbaf

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jogo de Cena

Filme: Jogo de Cena
Título Original: Idem
Diretor: Eduardo Coutinho
Atrizes: Fernanda Torres, Marília Pera, Andrea Beltrão
Ano: 2007
País: Brasil

documentário (ou não?)


O ano de 2007 foi marcante para o cinema brasileiro. Não vi ninguém dizendo muito essa tese por aí, mas podem escrever que será um ano que ficará na história. Pois 2007 foi o ano em que dois cineastas documentaristas brasileiros lançaram suas obras primas e entraram para o hall dos grandes artistas do cinema.

João Moreira Salles, com sua obra Santiago (que será tratado logo mais) e Eduardo Coutinho, com Jogo de Cena, são os únicos brasileiros que merecem tal crédito, em minha opinião, transformando o conceito de documentário no Brasil e no mundo. O objeto, talvez por questões burocráticas brasileiras, deixou de ser o "real", a pobreza, o sofrimento, a miséria, a investigação, a "verdade". Subjetivaram esses conceitos e deram toques pessoais a seus filmes, tratando o documentário como arte, como uma linguagem livre que é, sem prisões narrativas (que acontecem nas ficções nacionais), nem obsessão técnica (embora os filmes do João Moreira Salles sejam perfeitos nesse quesito). 

Em Jogo de Cena coutinho vai ao extremo desse conceito. Convida mulheres, quaisquer, que tenham boas histórias, a contá-las. Conversa com elas. Depois pede a atrizes, umas muito conhecidas e outras anônimas, para que reproduzam as entrevistas, sem ensaios, como se realmente fossem aquelas mulheres. O resto é trabalho de montagem. E um puta trabalho! A montagem espetacular vai nos conduzindo aos poucos para, em primeiro lugar, uma compreensão do jogo. Depois, confunde nossas mentes sem nos dar dicas do que é real e do que é atuação. Chega a tal ponto que nnão sabemos se são reais ou reproduções os depoimentos das nossas referências, que são as atrizes que conhecemos, Fernanda Torres, Marília Pera e Andrea Beltrão. Por fim, chega a conclusão que sempre chega: o que importa são as pessoas, suas histórias, seus pequenos gestos, suas humanidades.

Aqui cabe uma reflexão que sempre tenho, sobre a vida: Não há, no mundo, pior criação do que esses seres que chamamos de humanos e suas relações. Mas, também, não há nada melhor.

Ainda há outro grande mérito deste filme que não posso deixar passar batido. Coutinho costuma mostrar que, como complemento ao conceito minimalista de seus temas, a realização também não precisa ser exagerada. Um espaço, que é um palco de teatro, uma ideia simples, uma equipe pequena são suficientes para a realização desta obra-prima. Sempre levo em conta este quesito, mas conseguir este feito é para poucos e mestres.




Torrent: download aqui
(mas eu recomendo a compra deste DVD, para que assista a cada seis meses, considerando que ainda vem com extras muito interessantes)



Cena do youtube (trailer):



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Próxima semana:
Jogo de cena iraniano.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Zelig

Filme: Zelig
Título Original: Idem
Diretor: Woody Allen
Atores: Woody Allen e Mia Farow
Ano: 1983
País: EUA



Para mim, Zelig é a obra prima de Woody Allen. São muitos motivos para tal, mas creio que o mais importante é uma relação muito forte que tenho com filmes do Cinema do Absurdo, escola que não existe oficialmente mas que muitos seguem como conceito naturais de suas cinematografias. Tecnicamente, muitos filmes são brilhantes. Estéticamente, muitos filmes são perfeitos. Mas os que me tocam precisam ser conceituamente ligado a mim de alguma forma, como é Zelig e sua grande analogia.

O personagem Zelig, que virou referência na psicologia, é o Woody Allen camaleão, transfigurado em todos aqueles com quem passa a ter alguma relação. Falso documentário sobre este personagem, com depoimentos, narração, imagens de arquivo e a perfeita construção de um documentário, mas com seu objeto principal sendo este falso personagem. Na verdade não tão falso assim, só um pouco exagerado em alguns pontos para a formação caricatural da figura Zelig, o homem-camaleão.

O homem que tem personalidade fraca, que não tem forças em suas posições e prefere agradar aqueles à sua volta para ser aceito tem um pouco de Zelig. Já conheci alguns deste tipo por aí. São vendedores de carros,  contadores de causos, pescadores, jovens querendo afirmação, machos alfa conquistando suas fêmeas. Mas no fundo todos somos um pouco Zeligs, um pouco camaleão. E os que não são já vão para o outro lado da gangorra, como loucos varridos, fundamentalistas, estúpidos e autistas. 

O estranhamento, típico do Cinema do Absurdo, é o ponto de partida para uma reflexão do espectador. Até que o estranhamento passa a ser comum e o comum passa a ser o estranho. Assim acontece com Zelig, quando percebemos que ele nada mais é do que um extremo de uma característica nossa, mas explicitada, exagerada, doentia. A nossa, saudável, parece então um pouco hipócrita. O que estamos fazendo sendo Zeligs todos os dias e não nos dando conta disso? 

E o formato escolhido pelo Woody Allen para contar-nos esta história é mais do que adequado. Um falso documentário brinca com a realidade e a ficção e esta linha tênue que o próprio filme tem, um filme meio Zelig, querendo ser algo que na verdade não é. Mas com a distinção de se tratar de uma escolha consciente, de uma aproximação pensada, de uma dança nesta linha, usada ora para informar, ora para confundir, mas sempre para divertir.


Torrent: download aqui

Legenda: download aqui


Cena do youtube:



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Próxima semana:
Mestre Coutinho brincando conosco.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Setembro - A piração do Real

 Agora o mundo ficou louco. Em setembro veremos filmes que vão brincar na linha tênue de realidade e ficção.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Muito Além do Cidadão Kane


Filme: Muito Além do Cidadão Kane
Título Original: Beyond Citizen Kane
Diretor: Simon Hartog
Ano: 1993
País: Inglaterra, Brasil

Documentário

Este documentário, produzido para a rede britânica Channel 4, é muito representativo do que temos hoje como país. E do que teremos daqui em diante. Famoso por ter sido praoibido pela Globo de circular por aí, hoje já não é muito difícil de encontrá-lo. Será que serei perseguido? Meu blog vai sobreviver às pressões? Já adianto que por uma considerável grana eu tiro este post, então aproveitem para ver enquanto está no ar.

Muito se faz por poder e por dinheiro. Alguns dizem que o sexo entra nesta conta confusa. E não se trata de exclusividade tupiniquim, já que a referência aqui é justamente o Kane da semana passada. Mas os coronéis midiáticos brasileiros vão muito além, como diz o título. A relação promíscua entre mídia e poder, ou ela como o quarto e mais forte poder, é explicitada neste incrível material.

Essa relação explica muito, se não tudo, do que é o Brasil hoje. É claro que a Globo está aos poucos perdendo seu poder e a rede de internet é absolutamente genial ao permitir que o conteúdo seja gerado por seus usuários, como neste blog, com seus trinta e poucos leitores. Por ora o google não mostrou dentes afiados, mas se botar as mangas de fora estamos fritos... qualquer monopólio é danoso. Qualquer!

E eu me revolto assistindo esse filme! Me revolto porque consigo ver um outro país que teria sido possível. E que é possível! Me revolta o tempo perdido que esses poderes paralelos ajudaram a perpetuar. Me revolta o jogo e a dança que eles conseguem fazer com que todos brinquem. Há, no filme, o clássico exemplo entre o Lula e o Collor, manipulado pela Globo. As eleições manipuladas pela Globo. O impeachment manipulado pela Globo. As diretas já esquecidas pela Globo. E depois, quando o Lula chega ao poder, apesar da Globo, tornam-se amigos, pois "se hay gobierno soy a favor" pensam os Marinho.

E a reflexão que me atinge é: o poder pelo que? pelo poder? por fama? por dinheiro? por sexo? Por que não o poder pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária? Quando penso no país que a Globo poderia ter ajudado a criar e vejo o país que ela conseguiu fazer, tenho ódio, nojo e me recuso a assistir seus jornais e novelas.

Este blog, além de um aprendizado cinematográfico, traz um ensinamento político, do qual este filme e The Corporation são essenciais. Este mês foi assim. Vamos relaxar um pouco agora.

Torrent: download aqui


Cena do youtube:


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Próxima semana:
O Homem-Camaleão

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cidadão Kane

Filme: Cidadão Kane
Título Original: Citizen Kane
Diretor: Orson Welles
Ator: Orson Welles
Ano: 1941
País: EUA


Campeão de muitas listas de cinema, especialmente se americanas, Cidadão Kane é o clássico dos clássicos. E assim pode parecer que se trata de um filme chato. Muito pelo contrário. Quem viu sabe que vale a pena. Agora, por que é tão especial? Para ser bem sincero, não sei dizer e vou tentar dar minha opinião aqui.

Em primeiro lugar está o enredo. A história em busca de Rosebud, última palavra que diz antes de morrer, acaba contando os principais momentos de sua vida. Um homem que buscou, ao que resumem os depoimentos, ser amado, sem nunca ter amado ninguém. Assim cria seu império de jornais, se envolve em política sem ter sido político, tem dois casamentos que acabam sem amor (adoro sequência de cafés da manhã resumindo o seu primeiro casamento). Há uma relação histórica com uma espécie de Roberto Marinho americano, que quis proibir a exibição do filme e representa muito para os Estado s Unidos. Como todas as listas saem de lá, com exceção de uma muito interessante francesa que vi outro dia, Cidadão Kane sempre aparece entre os primeiros.

Esta relação do personagem com a mídia é o que coloca este filme neste mês, nesta temática. A relação entre mídia e política, muito mais comum do que deveria, é muito promíscua. Kane inicia seu jornal denunciando escândalos e representando os não representados. Em excelente discussão com seu tutor financeiro, por conta de uma denúncia que faz em seu jornal, de um monopólio do qual é também socio financeiro, ele define este seu duplo papel, entre o investidor e o denunciador. Mas depois de estabelecido e criado seu império midiático, Kane transforma seus pensamentos em realidade através dos meios que dispõe. Não muito diferente do que vemos no Maranhão, ou ando vendo por algumas cidades do interior paulista, ou ainda na utilzação das máquinas do governo para que candidatos se reelejam e se perpetuem no poder.

O outro fator determinante para a importância de Cidadão Kane é a linguagem cinematográfica. os cortes ainda são tradicionais, mas os enquadramentos são cheios de conceitos e inteligência. Não poderia ser diferente, pois trata-se de um filme crítico ao poder da comunicação, sem limites de interesse. E muitas vezes esquecemos o poder da imagem. As sutilezas de escolha de ângulos, sobreposições, preenchimento do quadro e composição podem transformar uma figura pública em um pessoa imponente, solitária, indecisa, amigável, etc. E as escolhas de Orson Welles são cheias de simbolismos e de nuâncias subliminares. Ele, com ator, parece muitas vezes no filme como Marlon Brando em O Poderoso Chefão, pois a câmera o pega de baixo para cima, grande, imponente, dominador. Vale lembrar que nesta época, também, o poder da imagem era muito bem (para o mau) utilizada para engrandecer e qualificar o líder nazista, Hitler.



Torrent: download aqui
(já vem com legenda)

Cena do youtube (um trailer interessante, sem cenas do filme):


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Próxima semana:
O Kane tupiniquim Roberto Marinho e sua trupe.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Entreatos

Filme: Entreatos
Título Original: Idem
Diretores: João Moreira Salles
Ano: 2004
País: Brasil
Documentário

Eu estou hoje fazendo um trabalho muito parecido com o de João Moreira Salles no filme Entreatos. Eu estou filmando a campanha da Marina Silva e do Ricardo Young, sem a intenção de fazer um documentário, mas mostrando muitas cenas de bastidores. Não sei se vale um documentário, porque já existe este, que não precisa ser refeito, independentemente do candidato.

Primeiro vamos aos fatos cinematográficos, depois aos políticos. O cinema documental observador que o Coutinho faz como ninguém é um grande trabalho de montagem sensível. Já no início do filme (cena do youtube) ele diz a que veio e explica seu documentário. O registro de tudo, desde os bastidores até os grandes comícios e eventos, faz com que ele opte por ficar mais nos bastidores, é claro.

Em uma campanha política não vemos nenhum ser humano e sim um monte de marionetes montadas de acordo com os interesses das pesquisas. Costumo dizer que as pesquisas indicam, na verdade, tudo aquilo que os políticos devem ser. Se elas indicam que a grande maioria do povo brasileiro gosta de homens de barba, os candidatos deixam a barba, se o povo crê que a amazonia deve ser devastada, pegam em suas armas, mas se querem abençoar as florestas, os candidatos tiram do bolso seus terços e cruzes. Até por isso os que se sobressaem são os mais espontâneos, como o próprio Lula. O que me agrada no filme é ver o político real, o ser humano real. O que não me agrada (mas me agrada cinematograficamente) é ver o político montado, criado, moldado. Duda Mendonça é o criador do Lula aqui. No debate, temos uma das melhores cenas do filme. Lula na TV, a equipe de pesquisa com um grupo anotando os comentário, a menina passa um rádio pedindo que o Lula seja mais didático e no bloco seguinte lá está o candidato seguindo os conselhos de seus marketeiros.

Desta forma, fazendo uma pequena comparação com as eleições que teremos neste ano, quem são os candidatos e minhas opiniões sobre eles: Serra está desesperado para ser eleito porque é, provavelmente, sua última chance. Assim, sorri, virou simpático com o CQC, conta piada, critica o Lula? Jamais, o cara é adorado. A Dilma é uma criação do Lula, evidentemente. Não tem o menor carisma e sua única bandeira é ser uma continuação do projeto. Aliás, todos que votam nela tem esse mesmo discurso, de que estão votando em Lula. Ainda não conheci quem votasse nela por convicção na própria. E Marina é autêntica, isso não se pode tirar dela. Ela é um ser humano iluminado e representa um projeto de país muito superior aos outros. Não sei se conseguirá passar sua mensagem, mas ela é a representação da esperança, o que é o Lula em 2002 e neste filme, Entreatos.

O lado humano é essencial que seja compreendido, porque toda essa maquiagem política faz com que as pessoas percam o interesse por qualquer tema que envolva política. Eu mesmo tenho muita dificuldade para engolir as chatices burocráticas e partidárias. O que é lindo é ver uma mobilização natural e espontânea, que acontece com a Marina como aconteceu com o Obama. O Brasil é um país incrível, com um potencial maravilhoso, mas parece que há um erro de percepção nas eleições. E aí eu viajaria para o meu amigo William Blake e suas portas da percepção. Mas sinto que estou ficando disperso.

Volto para finalizar. A política, ou melhor, a solução de problemas de um conjunto da sociedade, é algo que me move, me comove e me faz querer trabalhar muito por esse país. Já a política, ou melhor, as alianças por tempo de televisão, os egos, os jogos de interesse, me fazem ter nauseas e ânsia de vômito. E, no final, entre tantos enjôos e desejos, entre pessoas se espremendo e se abraçando,  entre os sonhos e entre os atos, não consigo parar de ter esperança. Preciso tomar algum remédio, talvez.


Torrent: download aqui

Cena do youtube:


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Próxima semana:
Rosebud.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Corporação

Filme: A Corporação
Título Original: The Corporation
Diretores: Mark Ashbar e Jennifer Abbott
Ano: 2003
País: Canadá, EUA


A escola brasileira de documentários ensina que a melhor forma de tratar um tema complexo e enorme, como a pobreza, a desigualdade de renda, a morte, a vida, o capitalismo ou as corporações, seria encontrar uma pequena história que possa ser universalizado. Desta forma, ao fazer um documentário sobre o Brasil, devo fazer um recorte minúsculo, de uma cidade, de um bairro, de uma casa. Como falei em Ser e Ter e Pro Dia Nascer Feliz, são documentários intimistas que fazem um recorte local para uma interpretação universal.

Já em A Corporação a ambição é maior. Busca-se explicar todo o sistema financeiro ocidental, ao qual estamos completamente entregues, com um recorte das corporações (que não é um corte pequeno). É evidente que, mesmo o maior dos documentários e o mais ambicioso terá algum recorte, alguma escolha de personagens, de histórias, de pontos de vista. Mas, se este documentário fosse feito seguindo os ensinamentos da escola brasileira, provavelmente a investigação seria feita em uma cidade pobre do Nordeste, com algum exemplo que aos poucos se torna evidente das injustiças sociais geradas por uma grande companhia do petróleo.

Enfim, voltando ao filme. Ele é extremamente competente em sua grande ambição. E tem muitos méritos nisso, pois, apesar da crítica áspera que faz ao sistema econômico, consegue abrir espaço para que todos os lados da questão se manifestem. Assim, não temos apenas os velhos críticos falando (como Noam Chomsky e Naomi Klein), mas também presidentes de grandes companhias, operadores do mercado de ações e inclusive uma coordenadora da indústria de brinquedos, que se coloca em posição complicada, ao elogiar os esforços de sua indústria para conquistar mercados, citando cifras bilionárias que gastam com publicidade para crianças. Em paralelo, uma outra mulher, crítica a esta mesma indústria, cita os mesmos dados para mostrar a impossibilidade dos pais comuns lutarem contra a propaganda que entra em suas casas.

A tese do filme é que uma empresa tem todas as características que damos a um psicopata social, se a tratássemos como uma pessoa. Nem mesmo os presidentes das grandes corporações concordam com as medidas que devem tomar como seus dirigentes. E por que as tomam? Porque quem manda é o mercado, são as ações e os acionistas. Na prática, o bom e velho dinheiro é o chefe.

Eu penso que esta realidade começa a mudar, aos poucos. A liberdade total entregue aos mercados gerou a crise dos EUA, onde foram gastos recursos suficientes para resolver o problema da fome, da deigualdade, das injustiças, do preconceito, das guerras e de tantos outros que podemos pensar aqui. Isto é, para não dizer nada mais, totalmente absurdo e intolerável. Ou, talvez, uma estupidez muito estúpida.

Existem outros modelos de desnvolvimento? Existem. Por que não mudamos para eles? Porque, infelizmente, nós somos muito lentos para promover mudanças estruturais. Temos que começar a falar desses modelos, para que alguns jovens cresçam com estas ideias e em algum momento de suas vidas possam aplicá-las ou ensiná-las. E para que elas possam ser aplicadas, aqueles que são muito velhos para compreendê-las devem morrer. De morte morrida, é bom deixar claro. Não estou propondo o assassinato das mentes estúpidas. Aliás, alguns propõe estes assassinatos e conseguem fazer com que as mudanças aconteçam mais rapidamente. Mas a democracia, sagrada, faz com que os processos lentos fiquem ainda mais lentos. E difíceis. Paciência.



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Cena do youtube:
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Próxima semana:
Os bastidores de uma campanha política.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Arquivo de Olhos

Neste mês de julho, usei a foto dos olhos de Jojo, do filme Ser e Ter.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Show de Truman


Filme: Show de Truman
Título Original: The Truman Show
Diretor: Peter Weir
Atores: Jim Carey, Ed Harris, Laura Linney
Ano: 1998
País: EUA


Tenho uma relação muito pessoal com esta incompreendida obra prima. Talvez não tanto incompreendida, mas com certeza menosprezada. Só deu grande valor, naquela clássica tabela de estrelas do Guia da Folha, a Suzana Amaral. Desde então olho com atenção especial os seus comentários e preferências e são poucas as vezes que discordamos de algum filme.

Outro fator importante foi um olhar atento sobre o Jim Carey, que era um ator mal falado e criticado (com razão, creio) por suas comédias exageradas. Com este filme eu pensei "esse cara é foda". E fui feliz, pois são obras primas também alguns filmes que fez depois, como "O Mundo de Andy" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças".

O humor de O Show de Truman é excepcional, criando uma grande analogia crítica. Um roteiro muito bem escrito no início da febre de reality shows, com uma ideia simples que cria um estilo que muito me agrada: uma espécie de cinema do absurdo. (Aliás, esta é uma denominação que sempre quero usar, tanto para descrever os filmes que gosto como os que faço, mas não existe um nome muito adequado ou oficial para isso)

Truman (homem-verdade), é um cara que vive em um mundo criado inteiramente pela TV, em um programa que fica no ar 24 horas por dia, mostrando simplesmente sua vida. A partir daí vemos muitas piadas feitas com este princípio, os bastidores que aparecem sem querer, as dificuldades que Truman tem de sair dali, os intrusos que já participaram do programa, a publicidade fake, que serve de advertising e por aí vai. Mas não há nada mais incrível do que o final do filme, quando Truman consegue orquestrar sua fuga em um barco atravessando o mar, tem um diálogo excepcional com seu criador e acaba batendo no final do cenário, pintado de céu. A porta de "exit" ali é indescritível.

Aí vem a discussão moral e conceitual do filme, um tanto quanto óbvia, ao criticar a sociedade da vigilância e pretensa liberdade, palavra que os americanos adoram. Estive pensando nesses dias que o slogan americano "this is a free country", que somos obrigados a ouvir em tantos filmes, prejudica em muitos aspectos as possibilidade de construção de uma sociedade mais próspera. A liberdade é tanta que vale tudo. Quem acaba mandando são os mercados, pois se não há regras, que vença o mais forte. Mas esta já é uma discussão mais filosófica que não creio que cabe aqui.


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Cena do youtube (coloquei o trailer, que vale a pena):


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Próxima semana:
Uma empresa pode ser psicopata?

domingo, 1 de agosto de 2010

Agosto - A película do Real

O "real" será o tema dos próximos meses, desde agosto até outubro. Após os últimos dois documentários do mês de julho, passearemos por estes temas.

Neste primeiro mês, que chamei de "A película do Real", os filmes são de temas políticos e sociais e passam sempre muito perto da relação da mídia, do cinema, da TV, dos reality shows com a sociedade. Isto não significa que serão apenas filmes pesados e documentais. Dentro deste tema abrangente, encontrei filmes muito diversos. Uma excelente comédia, um clássico do cinema, um documentário canadense e dois documentários brasileiros.

Minha proposta é que a reflexão de agosto traga ao final do mês um amplo repertório político de como funciona a sociedade e qual o papel da mídia neste processo. Mas é sempre bom lembrar como funcionou o meu processo de escolha de temas. Da forma como está indo, pode parecer que escolhi os temas e os filmes a partir deles. Mas foi o inverso. Antes fiz a lista e depois os separei por temáticas interessantes, tentando criar uma linha de evolução, começando por filmes mais clássicos, premiados, conhecidos e aos poucos ir intorduzindo alguns mais inusitados. Introduzi a educação no tema dos premiados e depois o documentário no tema da educação. E agora discutirei o real, o irreal e o mais que real...
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